Peter Bart, escrevendo para o Deadline em 4 de dezembro de 2025, discute o filme « Hamnet », destacando o seu sucesso crítico pela profundidade emocional e potencial de ressonância durante a temporada de prémios. Apesar do seu elogiado impacto emocional, o filme também enfrentou críticas pela sua abordagem restrita, posicionando-o como uma alternativa contemplativa aos mais barulhentos concorrentes aos prémios.
Dirigido por Chloé Zhao e coproduzido por Steven Spielberg e Sam Mendes, « Hamnet » adapta o romance de Maggie O’Farrell, oferecendo um retrato da Inglaterra renascentista que equilibra a vitalidade cultural com a ameaça omnipresente da peste negra. O filme foca-se em Will Shakespeare, interpretado por Paul Mescal, e na sua esposa Agnès, interpretada por Jessie Buckley, cuja vida pastoral com os seus filhos, incluindo o jovem Hamnet, contrasta com o génio disperso de Will e as suas ambições teatrais em Londres.
A narrativa mergulha no processo de escrita de Will e no seu envolvimento na volátil cena teatral londrina, num contexto de intrigas políticas e convulsões sociais. O artigo sugere que uma compreensão mais profunda do clima intelectual e político da época, como detalhado nas obras de Stephen Greenblatt, poderia enriquecer a experiência visual. O filme aborda o profundo pesar que se seguiu à morte do seu filho Hamnet pela peste em 1596 e a subsequente criação da peça « Hamlet » por Will.
O luto de Agnès é apresentado como um poderoso núcleo emocional do filme, embora alguns críticos o considerem beirar o excesso, um sentimento potencialmente amplificado pelo uso da banda sonora de música já apresentada. O contexto social caótico da Inglaterra renascentista, marcado por tensões religiosas, o teatro emergente e a dissidência clandestina, é notado como um elemento importante que poderia ter sido mais explorado, estabelecendo paralelos com as narrativas históricas de Greenblatt.
Em última análise, Bart conclui que a estética distintiva de Zhao, combinada com a ressonância temática do filme e o seu poder emocional, torna « Hamnet » um forte candidato ao reconhecimento de prémios na próxima temporada, apesar das suas limitações percebidas.
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