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14 de Março de 2026
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VARIEDADES Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2026, 00:09 - A | A

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Luto nas Artes

Morre Masanobu Kazurayama, o mestre que sobreviveu à bomba atômica para colorir o Pantanal

Da Redação Olhar Informação 

​O adeus ao mestre japonês que transformou o trauma de Nagasaki em pinceladas de esperança, unindo a delicadeza do oriente ao vigor das paisagens mato-grossenses em uma trajetória de resiliência e ensino que marcou gerações na UFMT e na Capital.

Cuiabá amanheceu mais cinza nesta quarta-feira. Faleceu ontem, 17 de fevereiro, aos 86 anos, o artista plástico e professor Masanobu Kazurayama. Figura emblemática da cultura cuiabana, Kazurayama não era apenas um mestre das telas; ele era um arquivo vivo da história mundial e um exemplo de como a arte pode servir como refúgio e cura.

​De Nagasaki para o Coração da América do Sul

​A trajetória de Kazurayama é marcada por um início dramático. Sobrevivente do bombardeio atômico de Nagasaki, em 1945, ele vivia em Kumamoto — a apenas 30 km do epicentro da explosão — quando o mundo mudou para sempre. Em entrevistas memoráveis, como a concedida ao portal g1 em 2017, o artista relatava como o impacto da guerra moldou sua visão de mundo e, consequentemente, sua urgência em criar.

​Em 1961, ele escolheu o Brasil como novo lar, trazendo na bagagem a técnica oriental e a sensibilidade de quem viu a destruição de perto. Ao se estabelecer em Mato Grosso, o artista encontrou no Pantanal uma fonte inesgotável de inspiração, fundindo as paisagens de sua terra natal e do Canadá com a exuberância da flora e fauna locais.

​Legado no Museu e na Academia

​Kazurayama foi uma peça fundamental na estrutura artística do estado. Como mestre de pintura no Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) da UFMT, ele formou dezenas de turmas, transmitindo não apenas técnica, mas a filosofia por trás de cada traço.

​Suas exposições anuais no Museu do Morro da Caixa d’Água Velha eram eventos aguardados no calendário cultural de Cuiabá, servindo como uma ponte estética entre o Japão e o Centro-Oeste brasileiro.

​Homenagens e Reconhecimento

​A Prefeitura de Cuiabá emitiu uma nota oficial lamentando a perda, reiterando o compromisso do mestre com a educação artística e seu talento inquestionável. Amigos e ex-alunos inundaram as redes sociais com homenagens ao homem que, com paciência oriental e alma cuiabana, ensinou que a beleza é a resposta mais forte para qualquer tragédia.

Olhar Informação: A arte de Masanobu Kazurayama foi o elo final entre a resiliência histórica e a identidade visual de Cuiabá; perdemos o homem, mas suas cores permanecem eternas no horizonte mato-grossense.

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