Foco nas urnas: Pré-candidatos ao Governo de MT defendem horário flexível, enquanto Carlos Fávaro é o único senador do estado a apoiar o fim da escala atual
CUIABÁ (MT) — O debate nacional sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou novos desdobramentos políticos que respingam diretamente na sucessão estadual de Mato Grosso. A deputada federal Érika Hilton (Psol-SP) divulgou uma lista de 40 senadores — incluindo os mato-grossenses Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União) — que assinaram uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) alternativa à que foi aprovada na Câmara Federal. A nova medida é apontada pela oposição como a "PEC do Horário Flexível", mas recebeu duras críticas da esquerda.
Segundo Érika Hilton, a proposta (PEC 12/2026), de autoria do senador Flávio Bolsonaro, deixa as horas trabalhadas livres para serem negociadas diretamente entre patrão e empregado. Para a deputada, a falta de igualdade nessa relação — dado o maior poder de barganha do empresariado — transforma o projeto na prática em uma "escala 7x0", que poderia fazer com que o funcionário abdicasse de seus dias de descanso para tentar aumentar a renda. A matéria já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
A defesa dos pré-candidatos de MT
Tanto Jayme Campos quanto Wellington Fagundes são pré-candidatos ao governo de Mato Grosso e defendem que o texto traz equilíbrio para a economia. Jayme Campos alega que a PEC busca garantir ao trabalhador o direito de escolher a própria carga horária, equilibrando a relação trabalhista.
Diferente da proposta original do fim da escala 6x1 — que prevê a redução da jornada para até 40 horas semanais e dois dias de descanso obrigatórios (escala 5x2) —, a PEC do Horário Flexível foca na intermediação direta. Wellington Fagundes reforçou que a medida amplia direitos respeitando as particularidades de cada setor econômico, ponto que vinha sendo a principal crítica do empresariado à proposta da Câmara.
"A PEC assegura ao empregado a escolha entre o regime tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas", diz um trecho do requerimento assinado pelos senadores, que defende a conciliação da rotina com as demandas de mercado.
Curiosamente, o movimento da oposição no Senado liderado pelo PL vai na contramão do que a bancada do próprio partido fez na Câmara Federal, onde deputados votaram a favor do fim da escala 6x1 temendo o desgaste político e eleitoral junto à população.
Fávaro isolado na defesa do trabalhador
Na bancada de Mato Grosso no Senado, Carlos Fávaro (PSD) consolidou-se como o único voto favorável ao fim definitivo da escala 6x1. Para o parlamentar, a extinção desse modelo trará dignidade, saúde e qualidade de vida para a classe trabalhadora.
"O Brasil precisa crescer, gerar emprego e fortalecer a sua economia, mas esse desenvolvimento também precisa chegar na vida real das pessoas. Produtividade não significa exaustão", posicionou-se Fávaro em suas redes sociais, demarcando um contraponto claro aos seus prováveis adversários políticos no estado.
Olhar Informação: No tabuleiro político de Mato Grosso, a flexibilização do trabalho vira munição eleitoral: de um lado, o discurso do equilíbrio econômico; do outro, a linha de frente pela dignidade humana contra a exaustão.
