Em meio à resistência paraense, proposta do ministro Flávio Dino de realizar plebiscito com moradores ganha força para definir o destino de área equivalente a Sergipe.
Cuiabá, MT – A histórica disputa territorial entre Mato Grosso e o Pará ganhou novos e intensos capítulos no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), subiu o tom e garantiu que o estado usará de todas as ferramentas jurídicas e políticas disponíveis para defender a posse de uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros quadrados localizada na divisa norte.
O governo mato-grossense sustenta que um erro histórico na medição geográfica prejudicou o estado e defende a revisão dos limites com base em marcos reais, como o Salto das Sete Quedas. A região em litígio afeta diretamente a linha de divisa de seis municípios paraenses: Jacareacanga, Novo Progresso, Altamira, São Félix do Xingu, Cumaru do Norte e Santana do Araguaia.
“Vamos brigar com tudo que for possível. A Assembleia está acompanhando isso de muito perto porque essa área pertence a Mato Grosso. A população que reside ali utiliza os serviços públicos do nosso estado”, afirmou Max Russi nesta terça-feira (26), criticando a falta de assistência do governo paraense na localidade.
A Proposta de Flávio Dino: O Povo Deve Decidir
Diante do impasse que se arrasta há anos — e que chegou a ter um julgamento unânime no STF em 2020 favorável ao Pará, mas que retornou à pauta para novas conciliações —, o ministro Flávio Dino trouxe uma alternativa impactante para a mesa de negociações. Dino sugeriu a realização de um plebiscito com os moradores da região afetada.
A ideia do ministro é dar voz diretamente à população local para que ela decida a qual estado deseja pertencer formalmente, já que, na prática, os residentes possuem maior ligação socioeconômica com Mato Grosso e dependem da saúde, educação e segurança mato-grossenses.
Pará Reage e Diz que Não Cederá "Um Palmo"
A sugestão do plebiscito e as movimentações de Mato Grosso, no entanto, encontram forte resistência do outro lado da divisa. A governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), reagiu de forma incisiva às cobranças e declarou publicamente que o estado não irá “ceder um palmo” do território reivindicado.
Para dar dimensão ao conflito, a área disputada possui uma extensão territorial semelhante à de todo o estado de Sergipe, envolvendo não apenas orgulho geográfico, mas uma rica fatia de arrecadação e produção econômica.
Atualmente, a Procuradoria da ALMT, equipes técnicas e parlamentares de Mato Grosso estão mobilizados em Brasília para tentar reverter o cenário e garantir que o mapa seja corrigido a favor dos interesses mato-grossenses.
O Olhar Informação De Olho na Cidade: A disputa de limites entre Mato Grosso e Pará vai muito além de linhas em um mapa; trata-se da dignidade e do pertencimento de milhares de cidadãos que vivem nessa área de fronteira. A proposta do ministro Flávio Dino de realizar um plebiscito é o caminho mais democrático e justo, pois quem paga impostos e utiliza os serviços públicos de Mato Grosso deve ter o direito de escolher sua identidade. O Olhar Informação segue atento aos bastidores do STF e defendendo o que é de direito do nosso estado.
