Da Redação Olhar Informação
Equívoco técnico na assessoria de Wilson Santos ignora 41 anos de história e coloca em risco custeio de R$ 350 milhões; Reinaldo Gaspar defende que viabilidade técnica de Cuiabá é superior à estrutura de Leverger.
Cuiabá – O imbróglio territorial entre Cuiabá e Santo Antônio do Leverger ganhou um capítulo técnico e contundente. O superintendente do Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), Reinaldo Gaspar, quebrou o silêncio e criticou duramente a aprovação da Assembleia Legislativa (ALMT) que, por um erro de traçado, vinculou a nova sede da unidade hospitalar ao município vizinho.
Para Gaspar, a decisão — que agora se sabe ter sido fruto de uma falha grave na execução técnica do projeto do deputado Wilson Santos (PSD) — ignora a maturidade da rede de saúde da capital. Ele argumenta que a ligação com Cuiabá é a única via segura e madura para a integração à Central de Regulação e para a manutenção das parcerias já consolidadas.
Uma gigante de R$ 300 milhões em jogo
O novo Hospital Júlio Müller não é apenas um prédio; é a maior promessa de saúde pública do estado para 2026. Com investimentos que já ultrapassam os R$ 300 milhões e previsão de entrega para o final deste ano, a unidade terá:
- Quase 300 leitos de alta complexidade;
- 10 centros cirúrgicos modernos;
- Custo anual de operação estimado em R$ 350 milhões em pleno funcionamento.
O financiamento da unidade é tripartite (recursos federais, estaduais e municipais) e gerido pela Ebserh. A grande preocupação é a capacidade de Santo Antônio de Leverger em arcar com sua contrapartida e oferecer a infraestrutura urbana necessária.
Infraestrutura e o parecer da UFMT
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) já emitiu um parecer técnico alertando sobre os riscos da mudança. Santo Antônio de Leverger enfrenta limitações históricas em saneamento básico, tratamento de esgoto e malha urbana — itens essenciais para o funcionamento de um hospital desse porte.
Apesar dos alertas técnicos, a decisão de mudar a divisa foi tratada como uma "compensação política" por conta do Morro de Santo Antônio, o que gerou a revolta da gestão hospitalar.
"A saúde pública deve prevalecer sobre embates políticos. O foco precisa ser a garantia de um atendimento de qualidade para os 142 municípios que atendemos há mais de quatro décadas, e não em divisas 'no papel' que não sustentam a operação real", pontuou o superintendente.
A expectativa agora recai sobre a reunião técnica da próxima sexta-feira (13), onde a ALMT tentará desfazer o nó criado pela assessoria parlamentar e devolver o hospital à jurisdição da capital antes da inauguração oficial.
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