Da Redação - Olhar Informação
O cenário diplomático no Mercosul vive um momento de contrastes acentuados. Enquanto o presidente do Paraguai, Santiago Peña, consolida uma agenda de "fatos históricos" — como a recente assinatura do acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia em solo paraguaio —, o governo brasileiro demonstra sinais de desconforto com a autonomia e o crescimento do vizinho.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, circula a percepção de que o presidente Lula teria evitado o protagonismo na assinatura do acordo devido ao êxito de Peña, que conseguiu destravar negociações que se arrastavam há décadas, justamente em um momento de liderança conservadora no bloco.
O "Diferencial Paraguaio": Energia e Tecnologia
Além do sucesso comercial, a aproximação de Peña com o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, é outro ponto de atrito. O Paraguai negocia a atração de grandes datacenters norte-americanos, utilizando o excedente de sua energia proveniente de Itaipu.
Diferente de gestões anteriores, Peña tem agido com independência, buscando investimentos de alta tecnologia sem buscar a tradicional "chancela" de Brasília. Com uma postura conservadora e pragmática, o presidente paraguaio tem sido descrito por diplomatas como um líder que prioriza a segurança jurídica e a eficiência econômica acima de alinhamentos ideológicos.
Fuga de Indústrias: O Abismo Tributário entre Brasil e Paraguai
Um dos maiores pontos de "ciúmes" no governo federal reside na economia real: a migração industrial. Atualmente, estima-se que mais de 200 indústrias brasileiras já tenham transferido suas operações para o Paraguai, atraídas pela elogiada política econômica de Santiago Peña e, principalmente, pela brutal diferença na carga de impostos.
Enquanto o Brasil tributa o setor produtivo em níveis que podem ultrapassar 37%, o sistema paraguaio — conhecido como "10-10-10" (10% de IVA, 10% de IR empresarial e 10% de IR pessoal) — torna o país um refúgio para empresários que buscam competitividade.
Benefício Binacional?
Apesar do incômodo em Brasília, o Paraguai defende que o fortalecimento de sua indústria beneficia o Mercosul como um todo. As fábricas que se mudam para lá continuam abastecendo o mercado brasileiro, porém com custos operacionais reduzidos, gerando empregos e renda no vizinho que, em última análise, permanece um parceiro comercial estratégico.
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