Colhendo o que plantou: Sem astúcia e sabedoria nas articulações, Palácio Alencastro vê base ruir e LDO virar moeda de troca.
A rejeição da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2027 pela Câmara Municipal de Cuiabá abriu uma crise interna no Palácio Alencastro e evidenciou o isolamento político do atual governo. A derrota em plenário forçou o Poder Executivo a recuar para tentar conter os danos e reorganizar sua base aliada.
Em tom de lamentação, o secretário de Governo de Cuiabá, Ananias Filho, quebrou o silêncio e criticou a postura do parlamento cuiabano. Para o gestor, a decisão dos vereadores não afeta apenas a gestão, mas pune diretamente a população da capital.
“Sinceramente, opinião pessoal, vejo com tristeza a rejeição da LDO. Mas cada um é dono da sua história, sabe seu argumento, não farei juízo. Para a cidade de Cuiabá, é prejudicial, isso dificulta os trabalhos”, declarou Ananias Filho.
O recuo e a nova estratégia
Com o texto sepultado na última quinta-feira, a Secretaria Municipal de Planejamento foi acionada às pressas para reavaliar a peça orçamentária. A expectativa do governo é que o projeto seja reapresentado ao Legislativo apenas na próxima semana, após passar por um pente-fino técnico.
Apesar do desgaste e da necessidade de ajustes pontuais para tentar acalmar os ânimos dos parlamentares, Ananias Filho ponderou que o esqueleto do projeto não deve sofrer alterações drásticas, uma vez que a LDO funciona apenas como o balizamento geral para as finanças do município.
O recuo estratégico, no entanto, expõe a fragilidade da articulação política do Executivo. Nos bastidores da Câmara, o sentimento é de que o governo colhe os frutos de uma postura soberba e de promessas não cumpridas com os vereadores. Na arena política, a falta de astúcia e sabedoria para costurar alianças sólidas costuma cobrar um preço alto — e, em Cuiabá, a conta chegou em formato de reprovação orçamentária.
“A política não tolera o amadorismo; quem não sabe articular com sabedoria, acaba governando no escuro. A rejeição da LDO é o reflexo claro de um Executivo que preferiu o isolamento ao diálogo.” — Olhar Informação.

