Da Redação Olhar Informação
Com fiscalização "por amostragem", bancos teriam operado sem controle; Banco Master tem 250 mil contratos sob suspeita e PicPay é citado por extinção de programa.
O depoimento do presidente do INSS, Gilberto Waller, à CPMI nesta quinta-feira (5), acendeu o alerta vermelho sobre o tamanho do prejuízo causado por irregularidades em empréstimos consignados. Segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), o rombo pode superar os R$ 7 bilhões já identificados no escândalo dos descontos associativos, uma vez que o sistema carece de fiscalização efetiva.
O "faroeste" dos empréstimos
Gaspar não poupou críticas à gestão do instituto, classificando a falta de controle como um cenário de "prevaricação". O relator destacou que o INSS opera com pessoal insuficiente, realizando fiscalizações apenas por amostragem, o que permitiu abusos graves, como:
- Empréstimos realizados em nome de crianças e pessoas falecidas;
- Cobranças de juros abusivos e "vendas casadas" de clubes de benefícios;
- Taxas que chegavam a comprometer 20% do valor do contrato com serviços não solicitados.
Bancos na mira e "blindagem" política
Um levantamento da Secretaria Nacional do Consumidor listou instituições com alto índice de irregularidades, incluindo C6, PicPay, Santander, Crefisa e Banco Master. O relator denunciou, entretanto, que as cúpulas do C6, PicPay, Crefisa e Santander foram "blindadas" pela base governista, que barrou a convocação de seus presidentes.
No caso do Banco Master, a situação é crítica: dos 324 mil contratos ativos, 251 mil não possuem comprovação regular. O INSS suspendeu repasses à instituição e deu prazo até 12 de fevereiro para a regularização, sob risco de cancelamento dos créditos. Já o programa "Meu INSS Vale Mais", operado pelo PicPay, foi extinto em agosto de 2025 após denúncias de cobranças indevidas.
A defesa do INSS
Gilberto Waller, que assumiu o cargo em abril de 2025, afirmou que a fiscalização rigorosa "não existia" antes de sua gestão. Segundo ele, novas medidas foram implementadas, como a obrigatoriedade da biometria facial para desbloqueio de benefícios e a exigência de auditorias externas pagas pelos próprios bancos.
Apesar da pressão, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), garantiu que a investigação não terminará "em pizza", citando que o trabalho já resultou em quebras de sigilo e na interrupção de descontos indevidos para milhões de segurados.
Olhar Informação: A notícia com a precisão de uma Flecha.
