Governador comemora adesão do prefeito de Rondonópolis e projeta novas baixas na sigla de Wellington Fagundes: “Serão muitos”.
O cenário político de Mato Grosso ganhou contornos de forte tensão e desenho de racha interno no Partido Liberal (PL). O governador e pré-candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou publicamente que espera receber um volume significativo de apoios vindos de integrantes do PL. O movimento representa uma afronta direta à candidatura própria da sigla adversária, que lançou o senador Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás.
A declaração de Pivetta ocorreu logo após o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), ignorar as diretrizes da diretoria estadual de seu partido e declarar voto público no atual governador. Demonstrando entusiasmo com o momento, Pivetta deixou claro que o movimento do prefeito não é um caso isolado, mas sim o início de uma tendência de desembarque de lideranças liberais em sua campanha.
“O Cláudio é um dos prefeitos que declararam apoio, serão muitos do PL, serão muitos, vocês estarão aí para ver, serão muitos”, cravou o governador.
Insubordinação por investimentos
O clima de insubordinação dentro do PL se intensificou após o presidente estadual da legenda, Ananias Filho, rechaçar publicamente a atitude de Cláudio Ferreira. Mesmo sob pressão, o prefeito de Rondonópolis manteve o posicionamento.
Para justificar a escolha, Ferreira apontou os resultados administrativos e os robustos investimentos do Estado em seu município. Ele destacou o aporte de mais de R$ 260 milhões para a saúde regional na atual gestão — um salto expressivo quando comparado aos R$ 90 milhões registrados em anos anteriores. O prefeito ponderou que prioriza os interesses de Rondonópolis acima de questões partidárias, mesmo ciente de que a decisão pode trazer riscos políticos ao seu próprio projeto de reeleição.
Golpe no reduto eleitoral de Fagundes
O impacto desse apoio reverberou rapidamente nos bastidores. O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) analisou a movimentação como um “ponto positivo” crucial para Pivetta e, por outro lado, um “ponto negativo” pesado para Wellington Fagundes. A perda do apoio do prefeito da terceira maior cidade do estado é dolorosa para o senador do PL, dado que Rondonópolis é historicamente seu principal reduto eleitoral e o berço de sua trajetória política.
Para agravar a situação do PL, outras lideranças importantes já dão sinais de fragmentação. A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), indicou que o apoio ao governo estadual passará pelo nível de compromisso com investimentos locais, sugerindo que a fidelidade partidária pode ficar em segundo plano diante das demandas de sua cidade.
Acompanhe no Olhar Informação os desdobramentos desta e de outras movimentações que prometem redefinir o xadrez político e as alianças eleitorais em Mato Grosso.
