Da Redação Olhar Informação
Mais que representatividade, um ato de justiça: avanço das mulheres em pastas estratégicas de Mato Grosso expõe abismo histórico e a urgência de equilíbrio em todas as esferas sociais.
CUIABÁ – Em um movimento que sinaliza uma mudança de paradigma na gestão estadual, o governador Otaviano Pivetta anunciou, nesta quinta-feira (09), que o número de mulheres em cargos de alto escalão no Governo de Mato Grosso dobrou. Durante entrevista ao programa Jornal da Verde FM, o chefe do Executivo destacou que a presença feminina em cargos de comando não é apenas uma meta política, mas uma necessidade prática de eficiência administrativa.
A estrutura de governo, que já contava com Laice Souza (Comunicação), Mauren Lazzaretti (Sema) e Andréia Fujioka (Seaf), agora ganha reforços em áreas vitais: Flávia Emanuelle assume a Educação (Seduc), Mayran Beckman o Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a coronel Suzane Tamanho passa a comandar a Segurança Pública (Sesp).
“Precisamos tornar isso prático e costumeiro e dar poder a quem é extremamente competente. Todas foram escolhidas pelo currículo e pelo que já fizeram. Foram nomeadas por merecimento”, afirmou Pivetta.
Um reflexo da realidade do funcionalismo
O aumento da participação feminina na cúpula do governo é um passo necessário para corrigir um cenário histórico de desigualdade. Em Mato Grosso, dos 76 mil servidores públicos, 46 mil são mulheres. Elas são a força motriz de áreas sensíveis como Saúde e Educação, mas, historicamente, os postos de decisão permaneciam concentrados em mãos masculinas.
Pivetta relembrou que essa tendência já era forte em suas gestões como prefeito de Lucas do Rio Verde, onde cerca de 75% do quadro de servidores era composto por mulheres. Para o governador, a experiência prática mostra que a competência e a responsabilidade feminina são pilares para o sucesso de qualquer administração.
Entre as quebras de barreira, destaca-se a nomeação da sargento Adriana Rodrigues, que assume o Gabinete Militar do Governo – a primeira mulher a ocupar tal função no estado. O governador ainda deve anunciar, nos próximos dias, os nomes para a Seciteci e para o Escritório de Brasília (Sermat).
O desafio do equilíbrio
Embora o avanço no staff do governo seja um marco, os números da desigualdade de gênero em outras esferas — tanto no setor privado quanto em demais poderes — ainda são desleais. O movimento iniciado no Palácio Paiaguás serve como um lembrete de que o equilíbrio entre homens e mulheres é uma questão de justiça social e inteligência institucional, já que uma sociedade mais igualitária é, invariavelmente, uma sociedade mais eficiente.
Olhar Informação: Onde a notícia encontra a verdade dos fatos. Destacamos que a presença feminina e a sensibilidade das mulheres no poder não apenas humanizam a gestão, mas melhoram diretamente a vida de toda a população.
