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13 de Junho de 2026
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13 de Junho de 2026

Política Sexta-feira, 29 de Maio de 2026, 07:19 - A | A

Sexta-feira, 29 de Maio de 2026, 07h:19 - A | A

Rebatendo denuncia

 "Pagou R$ 21 milhões em livros, foi para a Espanha e nos deixou se ferrando"

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

Prefeito de Cuiabá classifica acusação de "pedalada" como erro de interpretação e revela auditoria sobre compras de R$ 80 milhões na Educação

CUIABÁ – A guerra de versões entre o Palácio Alencastro e o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, ganhou novos e explosivos contornos. Horas após o ex-gestor usar a tribuna da Câmara de Vereadores para acusar a atual administração de desviar mais de R$ 100 milhões da pasta, o prefeito Abilio Brunini (PL) convocou a imprensa para rebater os ataques e trazer à tona detalhes de uma auditoria interna que investiga gastos sob suspeita na Educação.

​Com o estilo direto que lhe é característico, Abilio não poupou críticas à conduta de Monge na reta final de sua passagem pela secretaria, ligando a liberação de recursos com a viagem do ex-servidor ao exterior na véspera do ano letivo.

​“Estávamos com atraso no repasse para os diretores comprarem material de limpeza, papel higiênico e outros itens para o retorno das aulas. E, para minha surpresa, foram pagos R$ 21 milhões em livros na véspera da volta às aulas, e o cara estava na Espanha. Ele pagou R$ 21 milhões em livro, foi para a Espanha e deixou a gente aqui se ferrando para poder arrumar as escolas”, disparou o prefeito.

 

​"Efeito cascata" em contratos milionários

​De acordo com o chefe do Executivo, o sinal de alerta acendeu no final de 2024, quando o município corria contra o tempo para cumprir o índice constitucional mínimo de 25% de investimentos na Educação. Foi nesse período que propostas de despesas vultosas começaram a surgir para atingir o teto exigido pela legislação.

​Abilio relatou que, após a descoberta do primeiro pagamento de R$ 21 milhões em janeiro, o pente-fino da gestão identificou um efeito cascata de processos semelhantes nos meses seguintes, com cifras que variavam entre R$ 4,5 milhões e R$ 10 milhões. No somatório geral, as aquisições de material didático ultrapassariam a marca de R$ 80 milhões.

​O prefeito fez questão de isentar a Procuradoria Geral do Município e o setor de licitações de culpa, explicando que esses órgãos analisam apenas ritos formais e a legalidade do processo, cabendo o mérito técnico da escolha e da ordenação exclusivamente à Secretaria de Educação. “Em momento algum eu estou dizendo que foi o secretário. Eu quero saber por que essas coisas estavam sendo feitas e quem validou essas decisões”, pontuou.

​Prefeito nega pedalada e culpa herança de dívidas

​Ao responder à acusação de Amauri Monge sobre a suposta pedalada fiscal de R$ 100 milhões, Abilio Brunini minimizou a denúncia, classificando-a como resultado de uma “interpretação equivocada” sobre a complexa engrenagem da execução orçamentária.

​O prefeito assegurou que o limite de 25% foi rigorosamente cumprido por meio do empenho e da liquidação das despesas dentro do ano. O fato de o dinheiro em espécie não ter sido pago imediatamente — o que Monge apontou como desvio — deve-se à inscrição dos valores em restos a pagar. Segundo Brunini, a manobra legal foi necessária porque o caixa municipal foi sufocado pelo pagamento de dívidas e débitos herdados de administrações passadas.

“Restos a pagar estão declarados nas prestações de contas enviadas ao Tribunal de Contas e à Câmara Municipal. Isso faz parte da execução orçamentária da administração pública”, argumentou o prefeito, garantindo que nada foi ocultado dos órgãos de controle.

 

​Próximos capítulos no Legislativo

​A auditoria interna que embasou as declarações de Abilio está em andamento há cerca de três meses e a gestão promete apresentar um relatório definitivo assim que todas as informações técnicas forem cruzadas. "Quando encontramos possíveis irregularidades, não vamos jogar para debaixo do tapete", cravou.

​O embate político continuará fervendo na Câmara Municipal. O tema promete dominar as sessões da próxima semana, quando o atual secretário de Educação, Reginaldo Teixeira, comparecerá ao parlamento cuiabano para prestar novos esclarecimentos e apresentar os dados contábeis da pasta aos vereadores.

Olhar Informação: Entre relatórios técnicos e declarações inflamadas, o Olhar Informação segue firme no compromisso de destrinchar cada número e cada cifrão, garantindo que a população saiba exatamente como o dinheiro da Educação está sendo gerido.

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