Após embate público com Wellington Fagundes por obras do Parque Novo MT, governador impõe distância do Partido Liberal, mas estreita laços com Janaina Riva.
O cenário político de Mato Grosso começou a desenhar seus contornos mais nítidos para o próximo pleito. Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (12), o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) classificou como “pouco provável” uma eventual coligação ou aliança formal com o Partido Liberal (PL). Apesar de sinalizar um recuo estratégico em relação à sigla, o chefe do Executivo estadual reforçou que mantém as portas abertas e dialoga com todas as forças políticas, transitando desde o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) até o Partido dos Trabalhadores (PT).
Pivetta fez questão de separar a articulação político-partidária da postura estritamente institucional que adota frente ao governo. “No exercício do mandato de governador, eu converso com todos os prefeitos. E tem muitas cidades geridas por gestores, prefeitos e prefeitas do PL. Nós não distinguimos partidos. Nós atendemos desde o PT até o PL da mesma maneira. Mato Grosso trata todos os municípios com o mesmo carinho e com a mesma atenção”, pontuou.
O fator Wellington Fagundes e o racha no horizonte
A declaração sobre a improbabilidade de uma coalizão com o PL ocorre em um momento de nítido distanciamento entre o governador e o senador Wellington Fagundes (PL), que encabeça a pré-candidatura ao Governo do Estado. Questionado se a união seria completamente impossível, Pivetta ponderou: “Não sei, acho que não tem nada impossível. Não tem nada impossível. Mas eu vejo como pouco provável”.
O estopim para o esfriamento das relações foi uma crítica contundente de Fagundes, que sugeriu publicamente a interrupção das obras do complexo Parque Novo Mato Grosso. O senador defendeu que os recursos do Fethab aplicados ali deveriam ser redirecionados para áreas prioritárias como habitação, saúde e saneamento básico. Pivetta rebateu prontamente o parlamentar, classificando a visão dele como totalmente equivocada sobre o impacto socioeconômico do empreendimento.
Curiosamente, o "veto" ao PL parece se concentrar na ala de Fagundes. Nos bastidores, Pivetta mantém uma postura de aproximação com outras lideranças de peso da mesma legenda, como o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira — este último, inclusive, já cravou publicamente seu apoio à reeleição do atual governador.
Articulações com o MDB e a vaga de vice
Enquanto se afasta do PL majoritário, Otaviano Pivetta intensifica as conversas assíduas com outras legendas. O principal alvo das movimentações é o MDB, comandado em Mato Grosso pela deputada Janaina Riva. O nome da parlamentar é fortemente cotado nos bastidores para ocupar a vaga de vice na chapa encabeçada pelo Republicano.
“Nós estamos conversando com todos os partidos, também com o MDB”, confirmou o gestor, indicando que o tabuleiro político mato-grossense está em plena fase de acomodação e que o pragmatismo deve ditar as regras das futuras coligações.
O Olhar da Informação: Ao rotular uma aliança com o PL como 'pouco provável', Otaviano Pivetta não apenas reage ao embate local pelas obras do Parque Novo MT, mas demonstra a habilidade de fragmentar a oposição: o governador isola a candidatura majoritária de Wellington Fagundes ao mesmo tempo em que preserva pontes valiosas com prefeitos da mesma sigla e avança na consolidação de uma robusta base governista com o MDB.
