Por Olhar informação
A aprovação das contas de 2024 do Governo Mauro Mendes com ressalvas, somada à articulação vitoriosa do RGA acima da inflação, não foi um evento isolado. Nos corredores da Assembleia Legislativa, o que se vê é uma recalibragem na relação entre o Palácio Paiaguás e o Legislativo, onde os deputados deixaram de ser apenas "homologadores" para assumirem o papel de coautores da gestão fiscal.
A "Digital" de Max Russi: Diálogo como demonstração de força
Diferente de legislaturas anteriores, onde o embate pelo RGA terminava em greves ou judicialização, o resultado de 2026 (exercício 2024/25) carrega a assinatura de Max Russi.
- Estratégia: Russi consolidou-se como um "líder de resultados". Ao elevar o índice de 4,26% para 5,4%, ele não apenas beneficiou o servidor, mas provou ao governador que o Parlamento detém o termômetro das ruas.
- Mensagem Política: Para quem olha para as próximas eleições, a habilidade de Max em destravar o orçamento e garantir "ganho real" o posiciona como um nome de diálogo amplo, capaz de transitar entre o rigor fiscal do Executivo e a pressão das bases sociais.
O Papel de Carlos Avallone: O "Fiel da Balança" Técnico
Se Max Russi cuida da harmonia política, Carlos Avallone assumiu o papel de guardião do rigor técnico. Ao relatar as contas com ressalvas, Avallone enviou um recado direto: o Legislativo monitora as "manobras" orçamentárias.
- Orçamento Subestimado: O ponto alto dos bastidores é a crítica de Avallone à prática de prever receitas menores para ter liberdade de suplementar o caixa depois. Isso retira poder da ALMT sobre o destino dos recursos, e o deputado deixou claro que o Parlamento quer retomar as rédeas de onde o excesso de arrecadação (estimado em bilhões) será aplicado.
- O BRT como Vidraça: Ao citar nominalmente o BRT e o déficit previdenciário, Avallone pontuou que o governo é eficiente na arrecadação, mas ainda falha na entrega de obras complexas. Isso serve de munição tanto para a oposição quanto para aliados que cobram mais agilidade.
De olho em 2026: O tabuleiro se move
O cenário atual mostra um Governo do Estado robusto financeiramente (Nota A+ no Tesouro Nacional), mas sob uma vigilância parlamentar sem precedentes.
- Mauro Mendes mantém a governabilidade, mas agora sabe que cada ponto percentual do orçamento será disputado.
- A Assembleia sai fortalecida. Os deputados entenderam que, em ano eleitoral, entregar o RGA e fiscalizar obras paradas são os melhores ativos políticos.
O resumo dos bastidores é claro: O tempo do "amém" absoluto acabou. A aprovação com ressalvas e o RGA histórico mostram que, se o Governo tem a caneta, o Parlamento — liderado por figuras como Russi e Avallone — detém a régua que mede o sucesso dessa escrita.
