Ausência do senador do PL em cenário estimulado garante vitória de Pivetta no primeiro turno, mas escancara a real dependência do voto bolsonarista no estado.
Cuiabá — Um novo levantamento do Instituto Veritá divulgado nesta segunda-feira (08/06) mexeu com os bastidores políticos e acendeu os debates nos principais grupos de articulação de Mato Grosso. Os números focados nos votos válidos trazem o atual vice-governador Otaviano Pivetta em uma liderança folgada, alcançando 52,2% das intenções de voto. Na sequência, surgem o senador Jayme Campos com 17,6% e Natasha Slhessarenko com 14,2%.
Se a fotografia de momento parece desenhar uma liquidação da fatura ainda no primeiro turno para o Palácio Paiaguás, o verdadeiro fato político da pesquisa se esconde nas entrelinhas: a ausência do senador Wellington Fagundes (PL) da lista de candidatos estimulados.
O Vácuo da Direita e a Herança de Pivetta
Em praticamente todos os monitoramentos internos e trackings que circularam pelo estado nos últimos meses, Wellington Fagundes figura como a principal força do bolsonarismo oficial e divide o topo das intenções de voto com Pivetta.
Ao testar um cenário enxuto e sem o nome do senador do PL na cédula, o Instituto Veritá acabou revelando para onde migra o eleitorado conservador e ligado ao agronegócio quando não há uma candidatura própria do Partido Liberal. O grande beneficiado desse "vácuo" é justamente Otaviano Pivetta, que consegue absorver o espólio da direita e disparar com mais de 34 pontos de vantagem sobre o segundo colocado.
Estratégia de Afunilamento ou Balão de Ensaio?
No xadrez político mato-grossense, a exclusão deliberada de um player do tamanho de Wellington Fagundes em simulações estimuladas raramente acontece por acaso. Nos bastidores da Baixada Cuiabana, analistas levantam duas hipóteses principais para o desenho desse cenário:
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Termômetro para Chapa Única: O teste serve para avaliar o tamanho real da força de Pivetta caso o arco de alianças liderado pelo governador Mauro Mendes consiga convencer o PL e o Republicanos a marcharem juntos na mesma chapa majoritária, evitando o desgaste de um segundo turno.
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Sinalização sobre o Senado: Como o mandato de Wellington Fagundes no Senado Federal vai até 2030, o cenário mede o comportamento do eleitorado caso o senador opte por não se descompatibilizar e prefira atuar como o grande padrinho político da bancada federal, preservando sua cadeira em Brasília.
O Cenário Real
Embora os 52,2% empolguem o staff do vice-governador, o mercado político recebeu os dados com cautela. O número é real dentro da metodologia aplicada, mas reflete um cenário altamente condicionado à falta de opções na raia da direita tradicional.
Com o calendário eleitoral avançando e as convenções partidárias no horizonte, a "cadeira vazia" de Wellington Fagundes nessa pesquisa diz muito mais sobre as costuras e pressões de bastidores do que a própria dianteira isolada de Pivetta. O jogo continua aberto e, até as definições de chapas oficiais, cada instituto continuará medindo o tamanho das peças nesse tabuleiro de xadrez estratégico.
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