Da Redação Olhar Informação
A ex-primeira-dama reforça pedido humanitário após parecer favorável da PGR; expectativa cresce sobre o destino de Jair Bolsonaro, que segue internado em Brasília.
BRASÍLIA – A tarde desta segunda-feira, 23 de março, é de movimentação intensa e decisiva nos corredores do Supremo Tribunal Federal (STF). A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reuniu-se com o ministro Alexandre de Moraes em uma audiência reservada iniciada às 17h. O encontro, solicitado pela própria Michelle, ocorreu em um momento crítico: horas após a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestar-se a favor da concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia de Michelle é humanitária. Ela buscou relatar pessoalmente ao magistrado a gravidade do quadro de saúde do marido, que está internado há dez dias no Hospital DF Star. O argumento central é o risco iminente de novos episódios de broncoaspiração, o que exigiria monitoramento constante que a estrutura da "Papudinha" não comportaria adequadamente.
PGR: "Flexibilização do Regime é recomendável"
O parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, trouxe fôlego à defesa. Segundo Gonet, a evolução clínica de Bolsonaro, diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral, justifica a flexibilização do regime para garantir sua integridade física. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, passou mal na cela no dia 13 de março e chegou a correr risco de morte durante a transferência para o hospital.
Boletim Médico e Próximos Passos
Nesta segunda-feira, um novo boletim médico trouxe notícias de melhora: Bolsonaro recebeu alta da UTI e foi transferido para um quarto. Ele segue em tratamento com antibióticos endovenosos e fisioterapia respiratória, mas ainda não tem previsão de alta hospitalar definitiva.
A ofensiva política pela prisão domiciliar não se restringe à família. Além de Michelle e do senador Flávio Bolsonaro, figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também têm dialogado com ministros da Corte, argumentando que uma eventual morte sob custódia do Estado teria graves consequências políticas e sociais.
Agora, a palavra final está com o ministro Alexandre de Moraes, que deve decidir nos próximos dias se Jair Bolsonaro retorna para a unidade prisional ou se passará a cumprir sua pena em residência.
Encontro de 40 minutos reforça pedido de prisão domiciliar após parecer favorável da PGR; decisão final de Alexandre de Moraes pode sair a qualquer momento.
Atualizando 19:26 – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal, por volta das 17h40 desta segunda-feira (23). Segundo fontes ligadas à defesa, o tom da conversa foi estritamente focado no quadro de saúde de Jair Bolsonaro, que segue internado com broncopneumonia bacteriana bilateral.
Michelle teria apresentado ao ministro detalhes sobre a rotina de cuidados que o ex-presidente precisará após a alta hospitalar — que pode ocorrer nas próximas 24 horas — argumentando que a estrutura da unidade prisional não oferece as condições necessárias para a fisioterapia respiratória e o monitoramento contra novos episódios de aspiração.
O que esperar agora?
Com a reunião encerrada e o parecer favorável do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, em mãos, a bola está agora exclusivamente com o ministro Alexandre de Moraes.
A decisão: Moraes pode assinar a autorização para a prisão domiciliar ainda hoje ou nas primeiras horas de amanhã.
As condições: Caso conceda o benefício, o ministro deve impor medidas cautelares rigorosas, como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e restrição de acesso a redes sociais.
A expectativa no entorno de Bolsonaro é alta, sendo tratada como uma "vitória humanitária" necessária devido à gravidade clínica relatada pelos médicos do hospital DF Star.
A opinião do Olhar Informação:
"O equilíbrio entre o cumprimento da lei e os direitos humanitários é o que define a força de uma democracia. No Olhar Informação, acompanhamos este capítulo histórico da política brasileira com o compromisso de levar o fato e a análise ao cidadão, entendendo que a saúde e a justiça são pautas que tocam a todos, independentemente de ideologias."
