O governo de Mauro Mendes em Mato Grosso manifestou-se contra o aumento de 6,8% nos salários dos servidores do Poder Judiciário, um projeto que está em tramitação na Assembleia Legislativa.
A base do governo está tentando evitar a aprovação, com a expectativa de votação na próxima semana.
O governo teme que a aprovação do aumento leve outras categorias, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas, a exigirem reajustes.
O impacto financeiro previsto para os cofres públicos caso o projeto seja aprovado é de R$ 1,6 bilhão, o que prejudicaria investimentos já programados para 2026.
Mauro Mendes descartou a possibilidade de aumentar impostos para compensar a perda de poder de investimento do Estado.
A alternativa seria realizar cortes e reduzir repasses para municípios, pois não haverá aumento de impostos sob hipótese alguma.
O deputado Carlos Avallone, presidente da Comissão de Fiscalização e Acompanhamento da Execução Orçamentária da ALMT, destacou que a administração estadual não tem compromisso com medidas voltadas aos trabalhadores, priorizando investimentos e deixando demandas do funcionalismo em segundo plano.
Avallone mencionou que o governo prioriza compromissos de campanha, inserindo-os no PPA e no orçamento, sem o compromisso de recuperar distorções salariais do passado.
As declarações surgem em meio às discussões do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, que gerou insatisfação entre os deputados estaduais, apesar da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) estimar uma receita de R$ 40,7 bilhões.
O governo alega que não pode conceder reajustes aos servidores, pois isso comprometeria as contas públicas, argumento similar ao usado para a convocação de aprovados em concursos.
O presidente da CCJ, Eduardo Botelho, criticou o orçamento estadual como subestimado.
O projeto tem provocado uma queda de braços entre os deputados de oposição e da base, com a primeira votação marcada por disputa acirrada e pedido de recontagem de votos. Na CCJ, houve pedido de vistas e, diante da demora, os servidores do TJ ameaçam deflagrar greve, pressionando os parlamentares.
Mauro Mendes evitou antecipar se vetará a medida, alegando que não antecipa decisões do governo.
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