Da Redação Olhar Informação
Base governista tenta recuar de investigação sobre cartel na SES, mas Regimento Interno pode blindar continuidade da CPI; Júlio Campos classifica pedidos de retirada como "conversa fiada".
Cuiabá – A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, que visa investigar um suposto cartel em licitações da Secretaria de Estado de Saúde (SES), tornou-se o novo campo de batalha jurídico na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). O presidente da Casa, deputado Max Russi (PSB), encaminhou à Procuradoria Legislativa os pedidos de retirada de assinaturas dos deputados Dr. João (MDB), Juca do Guaraná (MDB) e Chico Guarnieri (PRD).
A manobra dos parlamentares ocorre após a deflagração da CPI, que tem como base os desdobramentos da "Operação Espelho", de 2023. O argumento da base governista é de que as assinaturas foram colhidas ainda no ano passado e que, no cenário atual, o interesse pela investigação teria se dissipado.
"Conversa fiada" e o Regimento Interno
O vice-presidente da Assembleia, deputado Júlio Campos (União), que presidiu a sessão de leitura do requerimento, rebateu as críticas de que o trâmite teria sido "atropelado", como sugeriu o líder do governo, Dilmar Dal Bosco (União). Para o veterano, o momento de desistência já passou.
"Ninguém me pediu para retirar. Ninguém telefonou para mim. Na hora que leu o processo lá, os senhores deputados podiam retirar a assinatura. Ninguém apresentou. Conversa fiada", disparou Júlio Campos.
O embate técnico agora reside no fato de que, tanto a Constituição Federal quanto o Regimento Interno da ALMT, estabelecem que, uma vez lido o requerimento em plenário e publicado com as assinaturas da Mesa Diretora, a retirada de apoio não tem mais validade jurídica para interromper o processo.
Próximos passos da investigação
Apesar da tentativa de recuo dos três parlamentares, Max Russi confirmou que a CPI segue instaurada até que haja um parecer definitivo da Procuradoria.
O autor do pedido, deputado Wilson Santos (PSD), que deverá presidir a comissão, aguarda apenas a indicação oficial dos membros pelos blocos partidários para iniciar os trabalhos. O foco central será o esquema de corrupção e cartel descoberto em 2023, que teria drenado recursos públicos da saúde estadual.
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