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12 de Abril de 2026
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12 de Abril de 2026

Política Terça-feira, 03 de Março de 2026, 22:41 - A | A

Terça-feira, 03 de Março de 2026, 22h:41 - A | A

O Equilíbrio no Fio da Navalha

Mauro Mendes entre a Gestão de Resultados e o Perigoso Isolamento da Direita

Análise Política - Redação Olhar Informação 

Ao classificar debate ideológico como “pobre”, Governador abre flanco para críticas bolsonaristas e reacende o fantasma do “já ganhou”; analistas alertam para os riscos de subestimar o PL.

Mato Grosso assiste a um movimento arriscado no tabuleiro político. O governador Mauro Mendes (União), conhecido por sua eficiência administrativa, parece estar trilhando um caminho de desvinculação intencional do Partido Liberal (PL). Ao rebater o senador Wellington Fagundes e classificar a polarização como um discurso que “não enche barriga”, Mendes tenta se posicionar como o gestor pragmático, mas acaba atraindo a fúria de uma ala que é majoritária no estado: a direita ideológica.

O Conflito com o "DNA" Bolsonarista

Não é a primeira vez que faíscas saem desse encontro. A rusga anterior com Eduardo Bolsonaro — que afirmou categoricamente que Mauro não é de direita — deixou cicatrizes nos grupos de WhatsApp e bases aliadas. Para os bolsonaristas raiz, as declarações de Mauro soam como o famoso "em cima do muro". O receio nos bastidores é que essa postura afaste o eleitorado que vê no 22 não apenas um número, mas uma identidade.

O Fantasma do "Já Ganhou" e as Lições da História

O burburinho nos corredores do Palácio Paiaguás é que o clima de "já está no papo" pode ser o maior inimigo de Mendes. A história política de Mato Grosso é um cemitério de favoritos que subestimaram as curvas do caminho. Nomes como Garcia Neto, Roberto França, Antero, Dante de Oliveira e Júlio Campos são provas vivas (ou memórias latentes) de que a política no estado guarda surpresas que desafiam a lógica técnica.

O perigo mora justamente onde a confiança se torna excessiva. O cronograma de saída para o Senado, ventilado por Max Russi para o final de março, coloca Mauro em uma vitrine de alta exposição no exato momento em que as críticas sobre sua "isenção ideológica" aumentam.

O "Caso Oi" e o Barulho de Pedro Taques

Outro ponto de atenção no radar dos analistas é a insistência de Pedro Taques sobre o tema da Oi. O que antes era ignorado, agora começa a ganhar corpo e novos apoiadores. Em política, uma pauta negligenciada pode rapidamente se transformar em bandeira de campanha adversária. Se essa "causa" ganhar tração, pode se tornar o calcanhar de Aquiles de uma gestão que, até então, se considerava blindada pelos números da economia.

 Técnica vs. Política

Mauro Mendes é, indiscutivelmente, um mestre na gestão. Mas política tem regras próprias que fogem aos padrões normais de uma planilha de Excel. Ao desdenhar dos rótulos de direita, ele pode estar entregando de bandeja o discurso para o PL se isolar como a única força conservadora do estado, deixando o governador em um limbo perigoso para quem pretende disputar uma vaga ao Senado.

Com duas vagas em jogo, o tabuleiro ferve:

 Janaína Riva avança como "caminhão sem freio", Medeiros aposta no DNA bolsonarista e Fávaro conta com a força da máquina federal.

Se o governador Mauro Mendes (União) acredita que o caminho para o Senado é uma passarela tranquila, os bastidores de Cuiabá sopram um aviso diferente. A disputa pelas duas cadeiras que se abrirão em 2026 desenha-se como a mais barulhenta de todos os tempos, e o sentimento de "já ganhou" pode ser a armadilha fatal para os favoritos de hoje.

Janaína Riva: O Fenômeno "Sem Freio"

A deputada Janaína Riva (MDB) é o nome que mais tira o sono dos adversários. No interior e na capital, o comentário é um só: ela vem em uma crescente imparável, o legítimo "caminhão sem freio". Sua habilidade de articulação é tamanha que até o "Rei da Soja", Eraí Maggi, já sinaliza querer tê-la como aliada estratégica. Há quem diga nos bastidores que a vaga de Janaína está hoje mais garantida que a do próprio Governador. Ela une o carisma popular à força do setor produtivo como poucos.

A Força das Máquinas e das Ideologias

Do outro lado, o embate de forças nacionais se reflete no estado:

José Medeiros (PL): É o candidato oficial da família Bolsonaro. Em um estado onde o ex-presidente mantém uma força avassaladora, Medeiros não precisa explicar teorias políticas; ele carrega o selo que o eleitor de direita busca. A força do "22" é real e subestimá-la foi o erro de muitos no passado.

Carlos Fávaro (PSD): O atual Ministro da Agricultura é a grande aposta do Presidente Lula em Mato Grosso. Fávaro detém a "máquina" ministerial e federal, uma ferramenta poderosa de entregas e convênios que pode mudar o jogo na reta final, especialmente junto aos prefeitos.

O "Sangue nos Olhos" de Pedro Taques

Correndo por fora, mas fazendo um barulho ensurdecedor, está o ex-governador Pedro Taques. Com o que chamam nos bastidores de "sangue nos olhos", Taques ressuscitou o polêmico "Caso Oi". O que começou como uma denúncia isolada está ganhando corpo, atraindo novos apoiadores e ameaçando virar o principal tema de ataque nas campanhas. Taques sabe onde dói a ferida e parece disposto a usar toda sua oratória para incendiar o debate.

Conclusão: O Perigo da Confiança Excessiva

Mato Grosso é terra de surpresas políticas. Nomes históricos já caíram por acreditar que a eleição estava "no papo". Entre a técnica de Mauro, o carisma de Janaína, o selo de Medeiros, a máquina de Fávaro e a fúria de Taques, uma coisa é certa: quem desprezar o adversário ou se isolar em discursos de "nem direita, nem esquerda" pode acabar assistindo à posse de Brasília pela televisão.

 

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