Entre a Diplomacia de Salto Alto e a Guerra Fria das Tarifas, o Destino das Relações Brasil-EUA Depende de um Fio na Europa, Enquanto a Direita Nacional Enfrenta Fissuras Familiares na Corrida Eleitoral.
França – Teve início ontem a Cúpula Anual do G7, reunindo na França os líderes das sete nações mais desenvolvidas do mundo para debater as pautas mais sensíveis da geopolítica global: o xadrez político com o Irã, os desdobramentos da guerra na Ucrânia, o mercado estratégico de terras raras, a estabilidade econômica mundial e a regulamentação da inteligência artificial. Embora o Brasil não integre formalmente o grupo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa como convidado e carrega na bagagem uma missão delicada.
O foco central da diplomacia brasileira no evento será contrapor-se, de forma sutil, à política de "tarifaços" defendida pelo presidente americano Donald Trump, também presente no encontro. A estratégia técnica de Lula visa desarmar as justificativas de Washington para as barreiras comerciais. A equipe de Trump alega que o Judiciário brasileiro promove uma "perseguição" às grandes empresas de tecnologia (Big Techs). Para mitigar o atrito, o mandatário brasileiro deve enfatizar de forma assertiva que o país mantém um ambiente aberto e favorável a essas companhias.
Há a expectativa de uma reunião, mesmo que informal, entre Lula e Trump nos corredores da cúpula. O histórico recente joga a favor do petista, que colheu ganhos de popularidade interna após o último aperto de mãos com o líder americano.
No entanto, analistas apontam que as relações bilaterais passam por um momento de escolha crítica. Se esse encontro de bastidores ocorrer, a relação entre Estados Unidos e Brasil deverá passar por um afunilamento decisivo: ou se encontra um meio-termo pragmático sobre a taxação de produtos e a segurança jurídica de investimentos tecnológicos, ou o desfecho final consolidará um distanciamento comercial profundo, isolando o mercado brasileiro de cadeias globais de suprimento geridas pela Casa Branca.
Enquanto Isso, no Cenário Nacional...
Se o front internacional exige diplomacia calculada, a política doméstica arde em fogo brando nos bastidores da direita. O Partido Liberal (PL) acelera o planejamento para as próximas eleições, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como peça-chave. O presidente da legenda cravou que a atuação de Michelle será crucial para alavancar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro, prevendo uma entrada agressiva dela na campanha até o final do ano.
Contudo, a pacificação da chapa esbarra em exigências de caráter familiar e público. Para subir nos palanques, Michelle impôs uma condição inegociável: um pedido de desculpas público por parte dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro.
A rusga interna decorre de atritos públicos recentes:
Flávio Bolsonaro azedou o clima nos bastidores ao rotular a ex-primeira-dama de "autoritária" há alguns meses.
Eduardo Bolsonaro demonstrou resistência clara e desaprovou abertamente as articulações que colocavam o nome de Michelle na mesa para disputar a Presidência ou a Vice-Presidência da República.
O desfecho dessa queda de braço familiar ditará o ritmo e a coesão da principal força de oposição no país.
Olhar Informação: Seja costurando acordos contra o protecionismo na Europa ou administrando vaidades familiares na corrida pelo poder doméstico, a política prova que o tamanho do desafio é sempre proporcional à incapacidade dos líderes de preverem o próximo movimento do adversário.
