Parlamentar rechaça imposições no União Brasil e avisa que candidatura de Jayme Campos ao Governo pode ser definida no voto: "A imposição é a maior inimiga da democracia"
Os bastidores políticos de Mato Grosso ganharam contornos de forte tensão com a declaração do deputado estadual Júlio Campos (União). Em tom de desabafo e firmeza, o parlamentar revelou que seu irmão, o senador Jayme Campos (União), não faz questão do apoio do atual governador Mauro Mendes (União) para o projeto de candidatura ao Governo do Estado nas próximas eleições.
A divisão interna no partido ficou evidente após as movimentações de Mendes, que preside a Federação União Progressista (União Brasil e PP). O chefe do Executivo estadual tem manifestado a intenção de caminhar ao lado do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), preterindo o projeto político de Jayme Campos, que fica sem mandato a partir do próximo ano.
"O Mauro Mendes já está liberado. Nós já falamos: 'Mauro, não queremos seu apoio. Você está liberado para apoiar Otaviano Pivetta'. Já falamos isso com ele no Palácio Paiaguás há seis meses. Larga da nossa vida, cuida do seu caminho que nós vamos cuidar do nosso", disparou Júlio Campos, lembrando ainda ressentimentos do passado: "Jayme Campos será candidato a governador sem você nos apoiar, assim como você não me apoiou quando fui candidato a senador".
A disputa interna promete arrastar o partido para um embate direto. Para Júlio, qualquer tentativa de alinhar o partido de cima para baixo sem ouvir as bases fere o princípio do debate livre. Em sua visão, a imposição é a verdadeira inimiga da democracia, e os rumos da sigla não devem ser decididos por vontades individuais.
Questionado sobre os desdobramentos caso o impasse e a queda de braço se prolonguem entre os correligionários, o deputado estadual foi categórico ao apontar que a solução será democrática e resolvida na base partidária. “Se a corda espichar, vai ganhar quem tiver mais voto na convenção”, concluiu o parlamentar.
Olhar Informação: Na arena política, o consenso forçado sufoca o debate; o verdadeiro teste de liderança e sobrevivência partidária se consolida na soberania do voto e no respeito às convenções.
