Da Redação Olhar Informação
Entre recuos estratégicos de deputados e a tentativa de "esquecer" o escândalo da Operação Espelho, a Assembleia se prepara para um embate histórico sob o olhar atento da sociedade; o Olhar Informação segue vigilante e não permitirá que o silêncio enterre os segredos da pandemia.
Cuiabá – O clima esquentou nos corredores da Assembleia Legislativa (ALMT). A deputada Janaina Riva (MDB) confirmou que deve ser a representante oficial do seu bloco na CPI da Saúde, que investigará o suposto cartel que lucrou com a dor dos mato-grossenses durante a pandemia da Covid-19. O movimento de Janaina ocorre em um momento crítico, onde o governo de Mauro Mendes (União) tenta, nos bastidores, desarticular a comissão que nasceu de uma "aprovação silenciosa" e inesperada.
A Estratégia da Blindagem e os Recuos
O Olhar Informação vem acompanhando a movimentação de bastidores para "melar" a CPI. Mesmo após a validação do requerimento, três deputados — Dr. João (MDB), Juca do Guaraná (MDB) e Chico Guarnieri (PRD) — tentaram retirar suas assinaturas.
O movimento é visto como uma tentativa clara de blindagem ao Executivo, mas esbarra no regimento interno: uma vez lida e publicada pelo presidente Max Russi, a CPI está consolidada. O parecer da Procuradoria Legislativa, esperado para esta quinta-feira (19), deve selar o destino das investigações e confirmar se a lei prevalecerá sobre a conveniência política.
O Fantasma da "Mulher da SES"
A investigação tem como base a Operação Espelho, que revelou diálogos aterrorizantes. Interceptações da Polícia Civil mostraram empresários defendendo o fim do lockdown para aumentar o contágio e, consequentemente, a ocupação das UTIs — o que gerava mais lucro para a organização criminosa.
A peça-chave que a CPI pretende identificar é a misteriosa "Mulher da SES", servidora que teria orientado os empresários a monopolizarem contratos e licitações. Janaina Riva já sinalizou que o trabalho será técnico e célere, dada a proximidade do período eleitoral, mas alertou para o volume de documentos que já começaram a chegar à comissão.
O "Natural" Contra a Base Governista
Pela tradição, Wilson Santos (PSD), autor da proposta, deve presidir o colegiado. Janaina, como primeira signatária do MDB, assume o protagonismo na composição. O grande desafio será a relatoria: a base governista, que detém a maioria na Casa, articula para colocar um aliado no posto, tentando controlar o tom do relatório final e evitar que a investigação chegue ao "coração" do Palácio Paiaguás.
"Acima de prazo ou composição, ela precisa ser bem feita e entregar um resultado a contento da sociedade", afirmou Janaina, pontuando que a expertise médica será fundamental para desvendar as fraudes denunciadas pelo Ministério Público.
Raio-X da CPI: Quem assinou e quem tentou "pular do barco"
Para que uma CPI seja instalada na Assembleia Legislativa (ALMT), são necessárias 8 assinaturas. A CPI da Saúde conseguiu exatamente esse número, mas a pressão dos bastidores fez com que o cenário mudasse logo após a publicação.
Os que tentaram retirar o apoio (O bloco do recuo):
Estes parlamentares assinaram o documento original, mas protocolaram pedidos de retirada após a CPI ganhar corpo. O Olhar Informação apurou que o movimento coincide com a articulação da base governista para esvaziar a investigação:
Dr. João (MDB): Médico e membro do bloco de Janaina Riva. Sua saída é vista como estratégica para diminuir a força do MDB na pauta.
Juca do Guaraná (MDB): Também do bloco emedebista, alegou questões regimentais para tentar retirar o nome.
Chico Guarnieri (PRD): Parlamentar da base que também apresentou uma das CPIs contra o Governo Federal (a da fronteira com a Bolívia).
Os que mantêm a assinatura (A resistência):
Até o momento, estes deputados seguem firmes no propósito de investigar o "cartel da saúde":
Wilson Santos (PSD): O proponente e provável presidente da CPI.
Janaina Riva (MDB): Primeira signatária do partido e defensora da celeridade nos trabalhos.
Lúdio Cabral (PT): Oposição declarada, tem focado na análise dos documentos da Operação Espelho.
Faissal (Cidadania): Tem mantido postura crítica sobre os contratos da pandemia.
Valdir Barranco (PT): Reforça o bloco que cobra explicações sobre a "Mulher da SES".
O que diz a Lei (Regimento Interno da ALMT)
De acordo com o Artigo 58 da Constituição Estadual e o Regimento Interno da Casa, a validade da assinatura é aferida no momento da publicação ou leitura no plenário.
Atenção: Como o presidente Max Russi já publicou a criação da CPI, juridicamente as retiradas de Dr. João, Juca e Chico podem ser consideradas nulas pela Procuradoria, pois o "fato jurídico" já se consumou.
Olhar Informação: A verdade sobre os contratos da pandemia não pode ser moeda de troca parlamentar; nossa equipe segue nos bastidores, reafirmando que não iremos nos calar diante de qualquer tentativa de transformar a investigação em um teatro de blindagem.
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