Da Redação Olhar Informação
Com o respaldo da opinião pública, comissão avança sobre o "Caso Banco Master" e sinaliza que ninguém está acima da lei no rastro da corrupção
Brasília – O clima político no Senado Federal promete ferver logo após as festividades carnavalescas. O presidente da CPI do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), confirmou que o colegiado deve votar os requerimentos de convocação de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
O objetivo da convocação, proposta pelo relator senador Alessandro Vieira (MDB-SE), é aprofundar as investigações sobre as polêmicas movimentações envolvendo o Banco Master. Em nota oficial, Contarato foi enfático ao definir a postura da comissão:
“A CPI cumpre uma função constitucional de investigar e fiscalizar organizações criminosas que se utilizam do sistema financeiro. Não podemos nos omitir diante desse escândalo que horroriza pela gravidade dos fatos”, afirmou o senador.
Independência e Pressão no STF
A ofensiva da CPI ocorre em um momento de isolamento técnico para o ministro Dias Toffoli. Mensagens interceptadas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mencionam o magistrado, o que inflamou a oposição. Parlamentares do PL e do Novo já acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo o afastamento de Toffoli da relatoria de casos ligados à instituição.
Além das convocações, a pressão popular por transparência impulsiona novas medidas:
- Pedidos de Impeachment: Um novo protocolo deve ser entregue no Senado contra o ministro.
- Quebra de Sigilos: Contarato solicitou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático da gestora Reag e de seu fundador, João Carlos Mansur.
- Transparência Bancária: Foi requisitado ao Banco Central o envio do processo administrativo que resultou na liquidação extrajudicial da instituição ligada ao caso.
O Outro Lado
Em sua defesa, o gabinete de Dias Toffoli classifica as acusações como "ilações". O ministro admitiu publicamente ter sido sócio de uma empresa com participação em um resort no Paraná, mas afirmou que vendeu sua cota para um fundo ligado ao pastor Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) e negou veementemente ter recebido qualquer valor do banqueiro ou de seus familiares.
A cúpula do Congresso, por ora, adota cautela sobre a abertura de uma CPI exclusiva para o banco, mas Contarato garante que a atual comissão não recuará: “Ninguém será blindado, não importa o cargo ou o poder que exerça”.
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