A publicação editorial da Folha de S.Paulo em 25 de novembro de 2025 analisa as tensões entre o governo federal e o Congresso Nacional, sugerindo que as atuais disputas transcendem as barganhas políticas usuais.
O texto aponta para a complexidade da gestão de coalizões em um sistema político fragmentado, com mais de duas dezenas de partidos de conteúdo programático limitado.
O editorial destaca conflitos simultâneos e distintos do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
A revolta petista com a decisão de Lira de entregar a relatoria de um projeto governista sobre facções criminosas a um opositor, e a insatisfação de Pacheco com a indicação de um auxiliar de confiança para o Supremo Tribunal Federal em vez de ceder à pressão corporativista, são exemplos citados.
Abaixo da superfície, o artigo identifica movimentos tectônicos mais profundos.
O Congresso tem ampliado seus poderes, especialmente sobre o Orçamento, e o 'centrão' —bloco de partidos fisiológicos— eleva o preço de seu apoio a governos, buscando aliados mais confiáveis que os atuais e demonstrando interesse em apoiar Tarcísio de Freitas em 2026.
O modelo de coalizão de Lula, que oferece pouco além de postos periféricos, é criticado.
O desgaste da popularidade presidencial e os reveses legislativos têm levado líderes e militantes do PT e aliados a expressar hostilidade crescente ao Congresso, rotulado como inimigo dos interesses populares em um estilo populista.
Essa animosidade é vista como preocupante, especialmente para um presidente com alta probabilidade de reeleição.
Apesar de o cenário político ser dinâmico, a Folha pondera que um Lula reeleito poderia estabelecer novas bases de diálogo, mas essa tarefa seria facilitada por votações consagradoras, o que não parece ser o cenário mais provável no momento.
A necessidade de reformas orçamentárias adiadas ressalta a importância da futura relação entre o Executivo e o Legislativo.
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