Deputado do PL contesta proposta do correligionário de paralisar complexo e afirma que Estado tem bilhões em caixa para investir simultaneamente em habitação e infraestrutura.
O tabuleiro político dentro do Partido Liberal (PL) registrou o seu primeiro grande choque de opiniões sobre a condução econômica do Estado. O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) manifestou publicamente sua discordância em relação à proposta apresentada pelo seu aliado político, o senador e pré-candidato ao Governo, Wellington Fagundes (PL), que sugeriu a paralisação das obras do Parque Novo Mato Grosso para concentrar os recursos em habitação popular e saneamento.
Para Cattani, a saúde financeira de Mato Grosso é robusta o suficiente para garantir a execução das duas frentes de investimento sem a necessidade de interromper projetos que já estão em andamento.
“Eu não sei, não tenho o entendimento da proposta que o senador Wellington está fazendo, mas eu acho que não se deve parar uma obra que está a passos largos caminhando porque o estado tem condições de fazer as duas coisas”, declarou o parlamentar.
Diálogo interno e defesa do caixa estadual
Durante coletiva de imprensa realizada nesta semana, Cattani ponderou que pretende procurar Wellington Fagundes nos próximos dias para compreender as motivações técnicas e políticas que levaram o senador a sugerir o recuo no projeto do parque. No entanto, o deputado foi enfático ao defender que o orçamento bilionário do Executivo estadual anula qualquer cenário de exclusão entre as duas áreas.
“Eu teria que conversar com ele sobre qual é a intenção dele, a ideia dele, que eu realmente não sei qual é a ideia. Mas se eu pudesse dar uma opinião eu diria que pode se fazer as duas coisas porque o estado tem condições para isso. Bilhões de reais que podem ser e devem ser usados na habitação e no saneamento”, ressaltou.
O embate interno começou após Fagundes endurecer o discurso e questionar publicamente as prioridades da atual gestão, colocando o Parque Novo Mato Grosso em xeque ao sugerir que a população preferiria a construção de moradias populares e criticar abertamente a destinação de recursos do Fethab (Fundo de Transporte e Habitação) para o complexo.
Habitação como ferramenta de combate a invasões
Apesar da divergência clara sobre a paralisação do parque, Cattani fez questão de endossar a bandeira de Fagundes no que diz respeito à urgência de investimentos massivos em moradia. O deputado, fortemente ligado ao setor produtivo e à pauta do direito à propriedade, justificou que o fortalecimento dos programas habitacionais é um pilar crucial para solucionar conflitos agrários e urbanos no Estado.
“Nós temos que dar habitação para as pessoas até porque existe uma cultura de invasão de propriedade aqui no estado que nós temos que acabar com ela e para isso nós precisamos oferecer para essas pessoas que precisam, que não tenham uma residência, condições para que essa prática acabe”, finalizou o deputado.
O Olhar Informação analisa que a divergência pública entre Cattani e Wellington Fagundes expõe o início dos debates programáticos dentro do PL, mostrando que a robustez do caixa do Estado será o principal tema de debate na construção das propostas para o governo.
