Da Redação Olhar Informação
Uma investigação explosiva da CPI do Crime Organizado no Senado revelou que o mercado financeiro brasileiro serviu de duto para cifras bilionárias ligadas à maior facção criminosa do país. O Fundo de Investimento em Direito Creditório (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag, recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas de fachada e fintechs utilizadas pelo PCC para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.
Os dados, compartilhados pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), detalham uma teia complexa de transações ocorridas entre 2023 e 2025. A Reag, que já estava sob o radar da Polícia Federal por supostas fraudes envolvendo o Banco Master, aparece agora como a gestora central de um fundo cujos ativos chegam a R$ 2 bilhões, alimentados por fontes extremamente suspeitas.
A Engrenagem do Crime: Do Tanque de Combustível ao Coração da Faria Lima
"O que parecia ser apenas uma operação de crédito no mercado de capitais revelou-se, segundo os investigadores, uma lavanderia de luxo para o dinheiro vindo do tráfico e da sonegação de combustíveis."
O detalhamento das cifras impressiona pela audácia do esquema:
- Aster Petróleo: A distribuidora, alvo da Operação Carbono Oculto, injetou R$ 759,5 milhões no fundo. Ela é apontada como a peça-chave na lavagem de dinheiro em oito estados.
- Fintechs do Crime: As empresas BK Bank e Inovanti, descritas pela PF como núcleos financeiros do PCC, repassaram juntas mais de R$ 330 milhões para a Gold Style.
- Cunhado sob Suspeita: Em um movimento que liga o esquema ao círculo íntimo do banqueiro Daniel Vorcaro, o fundo enviou R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos, empresa que teve como diretor o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, até 2024.
A comunicação desses valores ao Coaf pela própria Reag só ocorreu em setembro de 2025, logo após a primeira fase da operação policial, o que levanta suspeitas sobre a tempestividade e a transparência da administradora frente às normas de compliance.
Em Mato Grosso: Segurança na Bomba e no Banco
Para o cidadão de Mato Grosso, estado onde o setor de combustíveis e a logística são pilares da economia, a revelação de que grandes distribuidoras (como a Aster) operam como braços financeiros de facções é um alerta de segurança pública e econômica. A sonegação bilionária no setor de combustíveis retira recursos que deveriam ser aplicados em infraestrutura e segurança no nosso estado.
A CPI agora busca entender se os tentáculos desse "bilhão do crime" alcançaram investimentos imobiliários ou agrícolas na nossa região, utilizando a sofisticação do mercado de capitais para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Quando o crime se veste de terno e gravata, a fiscalização deve ser implacável para proteger o cidadão de bem. Olhar informação é o seu compromisso com a verdade e a justiça!
