Da Redação Olhar Informação
Escândalo envolve peculato, fraudes em faturamento e "religações fantasmas"; clima de retaliação e intimidação toma conta da gestão municipal.
A gestão da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), entrou oficialmente no radar das autoridades judiciais. O Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT) solicitou ao Tribunal de Justiça (TJMT) autorização para investigar a chefe do Executivo municipal por crimes graves, incluindo peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas públicos.
O foco das investigações é o Departamento de Água e Esgoto (DAE) da cidade. De acordo com a petição apresentada pelo promotor Marcelo Caetano Vacchiano, do Núcleo de Ações de Competência Originária (NACO), uma auditoria técnica da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) revelou um cenário caótico: inconsistências em backups, falhas críticas nos dados de faturamento e registros atípicos de cortes e religações de água.
O Esquema das 'Religações Fantasmas'
Um dos pontos mais alarmantes levantados pelos investigadores é a existência de possíveis "religações fantasmas". Essas ações seriam utilizadas como fachada para o pagamento indevido de bônus de produtividade a servidores, resultando em um potencial desvio vultoso de recursos públicos. O que chama a atenção é que uma apuração interna chegou a ser aberta pela Controladoria do DAE, mas foi abruptamente interrompida após uma mudança estratégica na gestão do órgão.
Retaliação e Intimidação
O documento do MP-MT detalha ainda um ambiente de "caça às bruxas". Após as denúncias, o setor de Tecnologia da Informação teria sido "desmontado". Houve a exoneração de um homem que denunciou as irregularidades, junto a outros funcionários e cerca de 30 terceirizados. Em contrapartida, um servidor suspeito de envolvimento nas falhas teria sido promovido, o que os investigadores classificam como nítida retaliação.
Além das fraudes sistêmicas, o inquérito aponta para condutas violentas. Um assessor administrativo-financeiro teria intimidado colegas, chegando a sugerir o uso de violência física para resolver conflitos internos. Áudios apreendidos, que ainda aguardam perícia, indicam que a prefeita Flávia Moretti tinha pleno conhecimento das irregularidades no DAE e, mesmo assim, teria se omitido.
Corrupção e Acesso Sigiloso
As suspeitas não param por aí. Áudios atribuídos a um procurador do DAE mencionam esquemas de corrupção envolvendo pagamentos irregulares a empreiteiras, manipulações no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e o acesso ilegal a informações sigilosas. A situação em Várzea Grande atinge um nível crítico, colocando em xeque a integridade dos serviços básicos oferecidos à população.
Olhar Informação: Onde a verdade é o nosso compromisso e a fiscalização do poder é o nosso dever.
