Recursos da Educação teriam sido desviados para outras áreas no ano passado, gerando 'colapso' e ameaçando falência de empresas fornecedoras
CUIABÁ – O cenário político da capital mato-grossense sofreu um forte abalo nesta quinta-feira (28). Em pronunciamento contundente na tribuna da Câmara de Vereadores, o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, denunciou a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) por uma suposta "pedalada fiscal" que ultrapassa a marca dos R$ 100 milhões. Segundo o ex-gestor, os recursos carimbados para a Educação foram retirados da pasta durante o ano passado e destinados a outras despesas sem autorização prévia.
Monge foi convocado ao Legislativo para prestar esclarecimentos sobre outra acusação feita pelo próprio prefeito, que apontava um suposto superfaturamento de R$ 80 milhões na compra de livros. No entanto, o ex-secretário rebateu as acusações de Brunini, classificando-as como uma tentativa de desviar o foco dos reais problemas da administração.
“Não podemos deixar que esse assunto seja uma cortina de fumaça para o que aconteceu e está acontecendo na Educação", disparou Monge em seu discurso. "No ano passado, nós cumprimos os 25% constitucionais de aquisições na educação, só que o dinheiro não foi para lá. Foi uma pedalada de mais de R$ 100 milhões."
De acordo com o ex-secretário, a manobra financeira está amplamente documentada e já se encontra sob análise da Comissão de Educação da Câmara, sob a responsabilidade dos vereadores Mário Nadaf (PV), Michelly Alencar (União) e Daniel Monteiro (Republicanos), além de contar com a ciência do secretário Bussiki e do contador-geral do município, Éder. Monge frisou que fez questão de registrar o cumprimento formal do teto constitucional de 25% para evitar que o prefeito ficasse inelegível, embora o dinheiro físico tenha sido retido.
Impacto no comércio local e colapso na pasta
Além do rombo financeiro na arrecadação do Fundeb e de verbas federais, Amauri Monge alertou para as graves consequências sociais e econômicas da manobra. Segundo ele, a retenção dos pagamentos asfixiou o mercado e colocou em risco "empresas sérias que forneceram para a prefeitura e que estão correndo risco de falência".
O ex-gestor também aproveitou a oportunidade para rechaçar os boatos sobre os motivos de sua saída do staff municipal. Ele negou categoricamente que tenha deixado o cargo para se engajar na campanha do ex-secretário de Estado de Educação, Alan Porto. Monge cravou que o real motivo de sua demissão foi o "colapso" generalizado na administração da Capital.
A denúncia caiu como uma verdadeira bomba nos bastidores do Palácio Alencastro. A expectativa agora gira em torno do posicionamento oficial do prefeito Abilio Brunini, bem como das ações que serão tomadas pelos parlamentares e pelos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e o Ministério Público.
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