Da Redação Olhar Informação
Nos corredores da Assembleia, o burburinho é de que os requerimentos funcionam como o famoso “tampão” para atingir o limite regimental e impedir a apuração de esquemas locais, refletindo a triste realidade das articulações tenebrosas que marcam a política mato-grossense e ecoam as mesmas táticas vistas recentemente na Câmara de Cuiabá.
CUIABÁ — A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) vive um momento de contradição interna. Reconhecida nos últimos anos por uma gestão produtiva e com boa avaliação perante a opinião pública, a Casa agora vê sua imagem sob risco. Na última sessão de quarta-feira (11), a base governista protocolou três requerimentos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) que, curiosamente, focam em problemas de competência da União, e não do Executivo Estadual.
A estratégia ocorre em um momento sensível. Ao protocolar novas comissões com foco federal, a base atinge o limite máximo de procedimentos permitidos simultaneamente, travando o avanço de investigações incômodas ao Palácio Paiaguás, como a CPI da Operação Espelho (Saúde) e a CPI da Oi.
O "Pacote Federal" e o Risco à Reputação da Casa
Os requerimentos apresentados pelos deputados Elizeu Nascimento (Novo), Nininho (Republicanos) e Chico Guarnieri (PRD) miram temas como a "frouxidão" do Código Penal de 1940, decretos federais de demarcação de terras indígenas e a omissão na vigilância da fronteira com a Bolívia.
Embora os temas sejam relevantes para o estado, a escolha do momento e a natureza "extra-estadual" das investigações levantam um alerta nos bastidores. A ALMT vem desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento de Mato Grosso, com entregas legislativas robustas e um diálogo aberto com a sociedade. No entanto, o uso do regimento para criar o chamado "tampão" pode manchar esse histórico de bom trabalho, passando a impressão de que o Legislativo atua como um escudo para o Executivo.
Articulações Tenebrosas e o Espelho da Capital
A coincidência com o cenário político da Câmara Municipal de Cuiabá é inevitável. Assim como na capital, onde comissões são usadas para blindar gestores ou sufocar a oposição, a ALMT parece flertar com a mesma tática. O deputado Gilberto Cattani (PL) chegou a manifestar indignação, reclamando que sua proposta de investigar uma suposta "máfia das funerárias" foi ignorada em prol dos temas federais.
A Triste Realidade Política
O grande perigo dessas articulações é o distanciamento das demandas locais urgentes. Enquanto os deputados se propõem a investigar leis de 80 anos atrás, as suspeitas de fraudes na Secretaria de Estado de Saúde (SES) correm o risco de prescrever ou serem esquecidas. Para a população, fica o questionamento: vale a pena sacrificar a boa avaliação de uma instituição inteira para garantir a blindagem política de poucos?
Análise Olhar Informação
"Quando o Parlamento Estadual decide investigar Brasília para não ter que olhar para o próprio quintal, ele não apenas ignora sua função, mas coloca em xeque a credibilidade de um trabalho que vinha sendo bem avaliado pelo cidadão mato-grossense."
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