Leite critica “messianismo” de Lula e condiciona candidatura de 2026 a aval do PSD
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), subiu o tom das críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de praticar o que classificou como uma "política de messianismo". Em entrevista à BBC News Brasil, o tucano — que fez história ao ser o primeiro governador gaúcho reeleito em quase um século — reafirmou sua pretensão de disputar o Planalto em 2026, embora admita que o caminho depende de articulações internas em seu partido.
A crítica ao “Salvador da Pátria”
Para Leite, a onipresença de Lula nas disputas eleitorais desde a redemocratização é prejudicial à democracia brasileira. Ele destacou que, se confirmada a candidatura à reeleição em 2026, esta será a sétima vez que o petista concorre ao cargo máximo da República.
"O líder precisa saber entrar, fazer sua parte, formar novas lideranças e dar espaço para que outros assumam esse protagonismo", afirmou o governador.
Leite utilizou uma ironia religiosa para ilustrar sua percepção sobre o discurso do atual presidente: "Isso está sempre muito presente na fala do presidente Lula. Talvez Jesus Cristo tenha sido tão bom quanto ele, mas que mais não foi. É quase que isso que chega a ser dito".
Cenários para 2026
Apesar do desejo de encabeçar uma chapa presidencial, Eduardo Leite enfrenta um tabuleiro político complexo. O projeto depende diretamente do aval de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que ainda não deu garantias definitivas sobre o rumo da legenda.
Caso a candidatura à Presidência não prospere, o plano B já está traçado: a disputa por uma das duas vagas ao Senado pelo Rio Grande do Sul. O estado, no entanto, promete ser um dos campos de batalha mais polarizados do país, servindo de palco para um duelo direto entre aliados de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Alternância de Poder
O governador encerrou suas considerações enfatizando a necessidade de renovação nos campos políticos. Segundo ele, a "captura" de um espectro político por uma única figura impede a reciclagem de lideranças. "A alternância de poder é importante", concluiu, reforçando o desgaste do modelo centrado na figura do "salvador da pátria".
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