Da Redação Olhar Informação
Com a chegada iminente de Max Russi ao comando da sigla, racha interno expõe queda de braço entre novos aliados e a atual presidência sobre o futuro de 2026.
CUIABÁ – O que deveria ser um processo de fortalecimento do Podemos em Mato Grosso transformou-se em um campo de batalha de narrativas nesta terça-feira (3). O estopim foi a declaração polêmica do deputado estadual Fábio Tardin, que tentou fechar as portas da legenda para a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL). A fala, no entanto, gerou um efeito reverso: uma desautorização pública imediata vinda da cúpula do partido.
O Embate: Tardin x Ulysses Moraes
Durante o retorno dos trabalhos na Câmara de Cuiabá, Tardin — que tem filiação marcada ao Podemos para o dia 7 de março — afirmou categoricamente que "não caberiam" ele e Flávia Moretti no mesmo partido. O deputado justificou o veto citando seu apoio ao ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) na última eleição, o que tornaria a convivência partidária com a atual gestora "inviável".
A resposta não tardou. O atual presidente estadual, Ulysses Moraes, emitiu nota oficial em tom ríspido para o parlamentar, reforçando que Moretti não apenas é bem-vinda, como já foi convidada várias vezes para a sigla. No texto, Ulysses exaltou a prefeita por seu alinhamento aos valores de "pátria, família e liberdade", deixando Tardin em uma posição isolada.
O Fator Max Russi: A palavra final
Apesar do ruído causado por Tardin e da nota de Ulysses, todos os olhares nos bastidores se voltam para o Palácio Paiaguás e para a Assembleia Legislativa. Isso porque o deputado Max Russi, atual presidente da ALMT, já é dado como o futuro dono da caneta no Podemos.
Russi, que deixará o PSB, traz consigo um grupo de peso, incluindo o próprio Tardin e o secretário Allan Kardec. O próprio Tardin reconheceu, em sua fala, que qualquer articulação maior dentro da sigla passará obrigatoriamente pelo crivo de Max Russi, o que coloca o chefe do Legislativo como o fiel da balança para apaziguar os ânimos entre os "novos donos" da casa e a atual gestão de Ulysses.
Reorganização em curso
A convenção que oficializará Max Russi no comando deve dar o tom do Podemos para as eleições de 2026. Enquanto isso, nomes como os vereadores Ilde Taques e Katiuscia aguardam a Justiça Eleitoral para se juntarem ao projeto liderado por Russi. O episódio de hoje mostra que a "faxina de casa" e a definição de quem entra e quem sai será o primeiro grande desafio do novo comando partidário.
Confira a íntegra da nota de Ulysses Moraes:
"Na qualidade de Presidente do Podemos, venho a público informar que convidei, por diversas oportunidades, a prefeita Flávia Moretti para filiar-se ao nosso partido [...] Ressalto que não existe qualquer impedimento para uma eventual filiação."
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