Da Redação Olhar Informação
Enquanto Juca do Guaraná lamenta o retorno do estigma policial ao Legislativo, Paula Calil tenta blindar sua gestão contra o peso de décadas de escândalos.
CUIABÁ – A política cuiabana vive um momento de déjà vu. A Operação Gorjeta, que tem como alvo central o vereador afastado e ex-presidente da Casa, Chico 2000, trouxe de volta ao Palácio Paschoal Moreira Cabral o fantasma da "Casa dos Horrores". O cenário atual coloca em lados opostos as visões da atual presidente, Paula Calil (PL), e de seu antecessor, o deputado estadual Juca do Guaraná (MDB).
Para Juca, o retorno das viaturas da Polícia Civil à Câmara é recebido com "profunda tristeza". O parlamentar, que presidiu o Legislativo Municipal antes de ser eleito para a Assembleia, afirma ter trabalhado para limpar a imagem da instituição.
“É lamentável. Assumimos com o desgaste de 'Casa dos Horrores'. Na nossa gestão não teve operação e as contas foram aprovadas sem ressalvas”, pontuou Juca, ressaltando que conseguiu quebrar o tabu de que presidentes da Câmara não conseguiam se eleger deputados.
Por outro lado, Paula Calil, em seu primeiro mandato, adota uma postura de distanciamento. Ao ser questionada sobre o "peso negativo" da cadeira presidencial, a vereadora desconversa, preferindo focar nos números de sua gestão iniciada em 2025. Embora admita que o desgaste para Chico 2000 é "inegável", Calil defende a individualização de condutas e a transparência através da Comissão Processante.
Uma Linhagem de Crises
A cadeira de presidente da Câmara de Cuiabá tornou-se, ao longo das décadas, um posto de altíssimo risco jurídico.
A Evolução do Esquema
Diferente dos métodos "brutos" do passado, como a simples falsificação de notas fiscais, a investigação contra Chico 2000 aponta para uma sofisticação da corrupção. O suposto esquema envolveria o uso de emendas parlamentares: o recurso sairia legalmente do orçamento público para institutos e empresas de uniformes, retornando "por fora" para o bolso do agente político.
A história da Câmara de Cuiabá parece ser escrita em ciclos. Se em 2009 a população levou vassouras para "lavar" o prédio em um ato simbólico, em 2026 a Justiça tenta, mais uma vez, passar a limpo a gestão dos recursos que deveriam servir ao cidadão cuiabano.
Olhar Informação: Entre o silêncio da atual gestão e o lamento da anterior, a Câmara de Cuiabá segue desafiada a provar que as paredes do Palácio Paschoal Moreira Cabral podem abrigar algo além de investigações e escândalos cíclicos.
