Nova rodada mostra equilíbrio extremo em simulações de primeiro e segundo turno; desaprovação da gestão federal atinge 51%
Uma nova pesquisa nacional do Instituto Datafolha projeta um cenário de forte polarização e equilíbrio extremo na disputa pela Presidência da República. No levantamento estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 38% das intenções de voto, seguido de perto pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que soma 35%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois principais concorrentes encontram-se em situação de empate técnico.
Nas simulações de segundo turno entre os dois ponteiros, o equilíbrio se acentua de forma nítida, com Lula e Flávio Bolsonaro aparecendo rigorosamente empatados com 45% das intenções de voto cada.
Quando testado contra outros nomes da centro-direita e da direita, o atual presidente consegue abrir vantagem fora da margem de erro. Em um eventual segundo turno contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), Lula lidera por 46% a 39%. Diante do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o petista pontua 46% contra 40% do adversário.
Avaliação do governo federal em xeque
O levantamento também mensurou o termômetro da aprovação da atual gestão em Brasília. De acordo com os dados apresentados, a desaprovação ao trabalho de Lula como presidente atingiu a marca de 51%, enquanto o índice daqueles que aprovam a condução do Palácio do Planalto se manteve em 45%.
A amostragem, registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00290/2026, coletou os dados presencialmente ouvindo 2.004 eleitores em 139 municípios de todas as regiões do país.
Repercussão em Mato Grosso: Clima de polarização dita o tom dos bastidores
Os números nacionais do Datafolha ecoaram imediatamente nos bastidores políticos de Mato Grosso, estado fortemente associado ao agronegócio e tradicional reduto conservador. As principais lideranças locais e representantes das bancadas federal e estadual interpretaram o levantamento como um indicativo direto de que a disputa em outubro exigirá mobilização total de suas respectivas bases.
Para interlocutores ligados ao Partido Liberal (PL) e à base bolsonarista no estado, o empate técnico de Flávio Bolsonaro — especialmente o índice de 45% nas projeções de segundo turno — consolida o nome do senador como o principal herdeiro político do capital eleitoral da direita, mesmo em um cenário de intensa pressão partidária em Brasília.
Por outro lado, representantes e apoiadores da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) em Mato Grosso avaliam que o teto numérico de Lula no primeiro turno demonstra resiliência. Contudo, parlamentares governistas em Cuiabá ligaram o sinal de alerta para o avanço da desaprovação (51%), reconhecendo que a gestão federal precisa intensificar entregas econômicas e sociais na região Centro-Oeste para reverter a resistência do eleitorado local e atrair fatias moderadas do eleitorado de centro.
O Olhar acompanha de perto a movimentação das principais forças partidárias e os desdobramentos dessa polarização na organização das chapas e alianças em Mato Grosso.
