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Política Terça-feira, 16 de Junho de 2026, 08:31 - A | A

Terça-feira, 16 de Junho de 2026, 08h:31 - A | A

Fogo Amigo no PL

Crítica de Abilio à Proposta de Wellington Fagundes Expõe Racha Interno na Sigla

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

Reprodução/Ilustração Olhar Informação

A Direita em Mato Grosso Parecendo Sem Diretrizes: Declarações Cruzadas e Reações Moderadas Acendem o Sinal Amarelo nos Bastidores Partidários

Cuiabá – O cenário político em Mato Grosso ganhou novos contornos de tensão com o mais recente desentendimento público dentro do Partido Liberal (PL). O presidente estadual da legenda, Ananias Filho, optou por adotar um tom brando e fazer "vistas grossas" diante das duras críticas desferidas pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), contra uma das principais bandeiras do senador e pré-candidato ao governo do Estado, Wellington Fagundes (PL).

​O pomo da discórdia é a proposta de Fagundes de paralisar as obras do complexo do Parque Novo Mato Grosso caso venha a ser eleito. O chefe do Palácio Alencastro não poupou palavras e classificou a intenção do correligionário como um “equívoco”, sustentando firmemente que investimentos voltados ao turismo, esporte e lazer são vetores essenciais para gerar desenvolvimento econômico e aumentar a arrecadação.

​Essa divergência pública joga ainda mais pressão sobre a legenda, que já enfrenta sérias dificuldades para alcançar a coesão interna. Até o momento, a pré-candidatura do senador conta apenas com o respaldo explícito do próprio Ananias Filho e do presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto.

​De Ameaça de Expulsão ao Discurso da Pluralidade

​A reação moderada de Ananias Filho chamou a atenção de analistas e políticos de bastidores. Em sua defesa pública, o dirigente tentou minimizar o desgaste: “Foi apenas uma divergência natural de opinião dentro de um partido que é plural e não um rompimento ou falta de compromisso”.

​O posicionamento atual destoa consideravelmente do histórico recente do presidente estadual do PL. No início de maio, Ananias chegou a ameaçar de expulsão os prefeitos da sigla que se recusassem a apoiar o projeto de Wellington Fagundes, classificando a aproximação com adversários como "ingratidão" e "infidelidade". O recado tinha um alvo claro: as movimentações em favor da pré-candidatura do atual vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

​Apesar de negar o isolamento de Fagundes, Ananias confirmou que pretende convocar uma reunião com prefeitos, parlamentares e lideranças para tentar blindar e unificar a sigla. Para justificar o otimismo, ele comparou o momento atual a outras campanhas vitoriosas da legenda:

​“Essa reunião vai acontecer no momento certo. Tenho plena confiança na candidatura própria do PL e na capacidade do partido de construir esse caminho, assim como fizemos ao lançar e eleger lideranças como Abilio Brunini em Cuiabá, Cláudio Ferreira em Rondonópolis, Flávia Moretti em Várzea Grande e Sérgio Machnic em Primavera do Leste nas eleições de 2024. O que decide é o voto e estamos plenamente confiantes.”

 

​O Fator Alencastro e a Sombra de Pivetta

​A flexibilização do discurso de Ananias Filho também encontra explicação na complexa teia de alianças locais. Além de Abilio Brunini ser uma das figuras de maior resistência ao nome de Wellington Fagundes e manter uma estreita relação política com Otaviano Pivetta, o próprio Ananias ocupa o cargo de secretário-chefe de Governo na gestão do prefeito cuiabano.

​Para tentar conter as especulações de que o prefeito estaria jogando no time adversário, Ananias Filho argumentou que as aparições conjuntas entre Abilio e o governador Pivetta devem diminuir drasticamente nas próximas semanas. O recuo estratégico coincidirá com o encerramento do período legal que permite a participação de potenciais candidatos em inaugurações e entregas de obras públicas.

​Mesmo com as justificativas, o racha escancara um partido que patina para encontrar um discurso unificado em Mato Grosso. Como costuma dizer o apresentador líder de audiência e ex-prefeito, Roberto França: “É o que há”.

Olhar Informação: Quando o comando do partido precisa usar o termo 'pluralidade' para disfarçar a falta de controle sobre os seus principais correligionários, fica evidente que o maior adversário do PL em Mato Grosso hoje não está na oposição, mas sim dentro da própria casa.

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