A acirrada disputa política em Mato Grosso, marcada por críticas do governador Mauro Mendes (União) ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), está criando um vácuo que pode beneficiar o fazendeiro Antonio Galvan na corrida pelo Senado em 2026. A troca de farpas entre Mendes e o filho de Jair Bolsonaro, que chegou a chamar o governador de "político estelionatário", gerou uma forte reação de setores da direita e extrema-direita, sinalizando um possível distanciamento do clã Bolsonaro em relação ao governador.
A crise, que depende de uma decisão final do ex-presidente Jair Bolsonaro, impedido de usar mídias sociais, tem implicações diretas nas alianças políticas.
Inicialmente, havia rumores de apoio de Bolsonaro a Mauro Mendes e ao deputado federal José Medeiros (PL) para as vagas no Senado.
No entanto, a postura de Mendes em relação a Eduardo Bolsonaro abalou essa articulação, com interlocutores do clã Bolsonaro já tendo conversado com Antonio Galvan, que obteve mais de 337 mil votos em sua candidatura anterior ao Senado em 2022.
O cenário político em Mato Grosso se complica ainda mais com as divisões internas no PL. Enquanto o senador Wellington Fagundes (PL) é um nome tradicional do partido, a ala mais radical, incluindo prefeitos de grandes colégios eleitorais como Abílio Brunini (Cuiabá), Flávia Morett (Várzea Grande) e Cláudio Ferreira (Rondonópolis), busca alternativas.
A oposição à candidatura de Fagundes também surge devido à sua relação com a deputada estadual Janaína Riva (MDB), pré-candidata ao Senado e adversária política de Mendes.
As tentativas de Mauro Mendes de consolidar seu apoio e o de seu vice, Otaviano Pivetta (Republicanos), para as eleições de 2026 enfrentam obstáculos significativos.
A inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030 e as restrições impostas a ele e a Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os EUA alegando perseguição política, adicionam camadas de complexidade.
A articulação para formar uma chapa competitiva, que incluía a filiação de Pivetta ao PL, parece ter falhado, e o acordo anterior entre PL, Mendes e Medeiros está em xeque.
A instabilidade política se estende a outras legendas, com o União Brasil e a Federação União Progressista sofrendo rachaduras internas.
A disputa de vaidades e as trocas de acusações entre Mendes e Eduardo Bolsonaro, somadas às divisões partidárias, indicam que o processo eleitoral de 2026 em Mato Grosso está longe de ser decidido, com muitos desdobramentos ainda por vir até outubro daquele ano.
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