Congresso Nacional articula CPMI para investigar "Caixa-Preta" e rede de influência do Banco Master
BRASÍLIA – O Congresso Nacional deu um passo decisivo para abrir as entranhas de um dos casos mais polêmicos do setor financeiro recente. Em uma articulação coordenada entre Senado e Câmara, parlamentares da oposição e independentes conseguiram o número necessário de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master.
Ofensiva Bicameral
A mobilização ganhou corpo em tempo recorde:
- No Senado: O senador Eduardo Girão (Novo-CE) liderou a coleta de 34 assinaturas, superando com folga o mínimo de 27 exigido pelo regimento.
- Na Câmara: O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) obteve 176 adesões, ultrapassando as 171 necessárias para a validação da comissão mista.
O Alvo: "A Rede de Favores"
O foco central da investigação é a atuação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os parlamentares pretendem mapear o que chamam de uma complexa "rede de favores" distribuídos a figuras influentes da República.
Um dos episódios que deve abrir os trabalhos da comissão é a polêmica viagem de uma delegação brasileira a Nova York, em maio do ano passado. Segundo as denúncias, o grupo teria viajado em jatinhos particulares e ficado hospedado no luxuoso hotel Aman, na Rua 57 — um dos endereços mais caros do mundo — com despesas supostamente custeadas por Vorcaro.
O Celular de Vorcaro: A "Bomba Relógio"
O item mais temido por autoridades em Brasília é o celular de Daniel Vorcaro. Classificado por membros da futura CPMI como uma verdadeira "caixa-preta", o aparelho conteria mensagens, registros de chamadas e detalhes de transações que podem expor beneficiários da rede de influência do banqueiro em diversas esferas do poder.
Tensão nos Três Poderes
Diferente das inspeções técnicas do TCU, a CPMI tem poderes de investigação de autoridade judicial. Isso significa que os parlamentares poderão quebrar sigilos bancários, fiscais e telemáticos, expondo documentos e provas sem os filtros das instâncias administrativas. O clima nos bastidores é de apreensão, com a percepção de que a comissão pode se tornar o principal palco de instabilidade política nos próximos meses.
