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22 de Julho de 2026
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Política Sábado, 06 de Junho de 2026, 09:25 - A | A

Sábado, 06 de Junho de 2026, 09h:25 - A | A

Plenário esvaziado e superpoderes

Como o voto remoto consolidou a aprovação de pautas polêmicas na Câmara

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

Câmara federal/Ilustração Olhar Informação

Mantido por Lira e Motta, sistema híbrido agiliza votações, mas asfixia o debate presencial e blinda projetos de forte impacto público.

​O Sistema Remoto de Votações (SDR), mecanismo implementado de forma emergencial durante a pandemia de Covid-19 para garantir a continuidade dos trabalhos na Câmara dos Deputados, transformou-se em uma ferramenta permanente de articulação política. Sob a condução das gestões de Arthur Lira (PP-AL) e do atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), o modelo semipresencial consolidou-se como a engrenagem perfeita para chancelar temas de alta sensibilidade com as galerias e o plenário praticamente vazios.

​A flexibilização que permite o registro de presença e o voto diretamente pelo aplicativo de celular acabou por dispensar a necessidade de embate e articulação física no dia a dia do parlamento. Na prática, projetos de grande repercussão — como a concessão de novos benefícios a partidos políticos, a ampliação da imunidade tributária para templos religiosos e afrouxamentos em legislações ambientais — são empurrados com velocidade recorde e com o mínimo de discussão.

​Cientistas políticos e analistas alertam que o formato híbrido impõe um severo golpe à transparência e à essência do processo democrático. Segundo a professora Lara Mesquita, da FGV-EESP, a ausência dos deputados nos balcões da Casa não apenas compromete a construção de consensos legítimos, mas também neutraliza as ferramentas históricas de obstrução utilizadas pelas minorias e pela oposição. Sem o corpo a corpo, as grandes negociações saem do holofote das comissões e migram definitivamente para gabinetes fechados e ambientes inacessíveis ao público.

​Se por um lado os defensores do SDR celebram os índices de produtividade e a celeridade inédita na entrega das matérias, por outro, críticos apontam para um esvaziamento intelectual e político do parlamento. O plenário, outrora palco de debates calorosos que moldavam os rumos do país, tornou-se, muitas vezes, uma sala de transmissão esvaziada onde os votos se materializam de forma silenciosa e distante do monitoramento social.

Olhar Informação: Ao trocar o calor do debate presencial pela frieza e conveniência do clique em um aplicativo, o Parlamento se distancia do cidadão e enfraquece o contraditório, transformando a celeridade legislativa em um atalho perigoso para decisões que afetam o bolso e o futuro de todos os brasileiros.

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