Presidente Paula Calil Tenta Mudar Regimento para Buscar Novo Mandato, mas nos Bastidores Especialistas Apontam que Disputa Tem Grandes Chances de Parar na Justiça.
CUIABÁ – Os bastidores da Câmara Municipal de Cuiabá estão fervendo. A presidente do Legislativo, Paula Calil (PL), confirmou nesta terça-feira (7) que pretende colocar em pauta, já na próxima semana, o projeto de resolução que altera o Regimento Interno da Casa. O objetivo central da proposta, de autoria do vereador Marcos Brito Júnior (PV), é derrubar a atual proibição e permitir a recondução do presidente ao cargo — abrindo caminho para que ela mesma tente um novo mandato no comando da Mesa Diretora.
A expectativa é que o texto seja votado antes do recesso parlamentar, previsto para começar após o dia 16 de julho. Para que a regra mude, são necessários os votos favoráveis de pelo menos 18 dos 27 vereadores. Paula Calil faz questão de enfatizar que a aprovação da matéria não garante sua permanência na cadeira de forma automática. "Votar essa matéria não quer dizer que está votando na mesa que está sendo construída. Quer dizer apenas que estamos retirando essa vedação. O que a gente busca é uma oportunidade", defendeu a presidente, pontuando que a reeleição já é permitida em 21 capitais e na vizinha Várzea Grande.
Articulação Pesada e a Sombra dos Tribunais
Para pavimentar esse caminho, as movimentações políticas foram intensificadas. Nos últimos dias, Paula Calil reuniu um grupo que já soma 14 parlamentares, contando com o apoio explícito do prefeito Abilio Brunini (PL) e do secretário de Governo, Ananias Filho. O projeto ganhou ainda mais musculatura com a adesão recente dos vereadores de oposição Didimo Vovô (PSB) e Jeferson Siqueira (PSD).
No entanto, o clima de "já ganhou" esbarra em alertas jurídicos. Cientistas políticos e especialistas em direito eleitoral ouvidos pelos bastidores apontam que essa manobra, feita às pressas nas vésperas do recesso e desenhada sob medida para beneficiar a atual gestão, tem contornos nítidos de judicialização. A tendência, segundo analistas, é que a oposição ou partidos contrários à mudança acionem o Poder Judiciário assim que o texto for aprovado, alegando casuísmo e violação dos princípios de impessoalidade.
Paralelamente, a Câmara também discute um projeto do vereador Mário Nadaf, que joga a eleição da Mesa para o dia 5 de novembro. A medida tenta adequar o calendário municipal às exigências dos tribunais superiores, que impõem um intervalo mínimo de 90 dias entre o pleito interno e a posse dos eleitos — mais um sinal de que a Casa tenta se blindar, embora o risco de uma batalha jurídica continue altíssimo.
O site Olhar Informação acompanha de perto os movimentos na câmara municipal, lembrando que a verdadeira democracia se fortalece na solidez das regras do jogo, e não em casuísmos que transformam o parlamento em um eterno cabo de guerra judicial.
