Da Redação Olhar Informação
Em meio ao fim do prazo para indicações de nomes, a base governista tenta sufocar investigações estaduais com pautas federais, enquanto a oposição luta para manter de pé a CPI da Saúde; será que a oposição vai conseguir quebrar esse movimento do bloco governista? Estaremos acompanhando de perto tudo isso.
Cuiabá – A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) retoma as atividades nesta quinta-feira (19) mergulhada em um xadrez político que tem as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) como peças centrais. O foco principal é a CPI da Saúde, que mira as irregularidades reveladas pela Operação Espelho durante a pandemia de Covid-19.
O Impasse das Assinaturas
O presidente Max Russi (PSB) aguarda o parecer da Procuradoria Legislativa sobre um movimento polêmico: os deputados Dr. João (MDB), Juca do Guaraná (MDB) e Chico Guarnieri (PRD) solicitaram a retirada de suas assinaturas após a publicação da CPI.
No entanto, o regimento interno é claro: a retirada só é permitida até o momento da leitura do requerimento. Como a CPI já foi validada, a tendência é que as investigações sobre a saúde estadual prossigam, frustrando a tentativa de recuo dos parlamentares.
A Estratégia do "Contrapeso" Federal
Para evitar que o foco permaneça apenas em questões domésticas, a base aliada do governo estadual agiu rápido e protocolou três pedidos de CPIs focadas em pautas da União. A estratégia, liderada pelos deputados Nininho (Republicanos), Chico Guarnieri e Elizeu Nascimento (Novo), visa ocupar as vagas regimentais disponíveis (o limite é de três CPIs simultâneas). As pautas são:
- Terras Indígenas: Investigação das demarcações do governo federal no estado;
- Fronteira com a Bolívia: Suposta falta de investimentos da União na região;
- Legislação Penal: Impacto das leis federais na segurança pública local.
Ao preencher as vagas com temas federais, o bloco governista cria uma barreira técnica para impedir a instalação de outras investigações incômodas, como a especulada CPI sobre o acordo da Oi S.A.
Servidores e Sindicatos na Mira
Além do embate das CPIs, a retomada dos trabalhos deve ser marcada por protestos nas galerias. Os deputados discutem um projeto de lei que pretende limitar o afastamento remunerado de servidores públicos para o exercício de cargos em sindicatos ou associações. A medida é vista por representantes de classe como um ataque direto à organização sindical em Mato Grosso.
Com o prazo final para a indicação de nomes das comissões se encerrando, esta quinta-feira definirá quem terá o controle das narrativas políticas no estado pelos próximos 120 dias.
Olhar Informação: No teatro da política mato-grossense, as CPIs deixaram de ser apenas ferramentas de fiscalização para se tornarem escudos e espadas em um ano onde cada assinatura vale o peso da sobrevivência eleitoral.
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