Aluguel de shopping center: Com boxes estimados em até R$ 20 mil, Abilio afirma que feirantes tradicionais não terão condições de pagar e garante que o caso vai parar na Justiça.
CUIABÁ – A novela em torno do novo Mercado Municipal Miguel Sutil ganhou capítulos explosivos com o posicionamento contundente do prefeito Abilio Brunini (PL). O chefe do Executivo municipal garantiu categoricamente que o espaço não será inaugurado sem a emissão do Habite-se, documento que atesta a segurança e a conclusão legal da obra. Contudo, o freio burocrático é apenas a ponta do iceberg de uma complexa batalha que envolve acusações de exclusão social, ironias políticas e a promessa de uma pesada disputa jurídica.
A concessão do espaço está diretamente atrelada ao contrato de estacionamento rotativo no Centro de Cuiabá, assinado durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD). Como contrapartida para explorar a cobrança dos motoristas nas ruas, a concessionária CS Mobi se comprometeu a revitalizar o antigo mercado, que estava abandonado. No entanto, o modelo da Parceria Público-Privada (PPP) de 30 anos tornou-se o principal alvo de Abilio, que defende abertamente o rompimento do contrato.
Preços abusivos e a "expulsão" dos feirantes
O principal argumento do prefeito para anular a PPP é o impacto financeiro sobre os trabalhadores históricos do local. Abilio acusa o modelo atual de desproteger os comerciantes tradicionais, promovendo uma iminente "expulsão" dessas famílias. Com aluguéis de boxes estimados em patamares que chegam a R$ 20 mil mensais — valores comparáveis aos de grandes shopping centers —, o gestor afirma que os antigos feirantes simplesmente não terão condições financeiras de se manter no espaço.
Essa disparidade econômica inflamou o debate político na Capital e reverberou fortemente na Câmara Municipal. O cenário de exclusão dos trabalhadores tradicionais transformou a obra em alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga supostas irregularidades, falta de transparência nos prazos e as pesadas taxas aplicadas pela empresa privada.
Ironia, psicologia reversa e o destino nos tribunais
Ao ser questionado sobre a paternidade da obra e a declaração de Emanuel Pinheiro de que "um pai não pode faltar ao nascimento do filho", Abilio não poupou ironias. Disparou que o "pai dessa obra é muito feio" e que o gestor anterior "não se comportou muito bem". O prefeito também usou de sarcasmo para explicar o recente ritmo acelerado das obras, recorrendo à "psicologia reversa".
“O cara acelerou a obra em 300% depois que eu falei que não queria que fizesse”, ironizou Abilio, completando que não tem interesse em comparecer à inauguração caso Emanuel esteja presente.
Para além das alfinetadas, o desfecho do Mercado Municipal Miguel Sutil já tem endereço certo. O prefeito antecipou que, assim que a construção for finalizada e regularizada com os documentos necessários, o município acionará o Poder Judiciário para retomar o controle total do espaço.
“Parabéns, que termine a obra. Porque depois a gente vai entrar na Justiça para tomar essa obra para nós”, finalizou Abilio.
O Olhar Informação analisa: a transformação do histórico Mercado Miguel Sutil em um modelo de negócios elitizado ameaça apagar a identidade dos feirantes cuiabanos; com aluguéis astronômicos e o Palácio Alencastro prometendo romper o contrato, o futuro do empreendimento não será decidido em festa de inauguração, mas sim nos tribunais.
