Mais vereadores removidos do grupo do prefeito Abílio. Se continuar assim... O grupo acaba.
A instabilidade política na base de apoio ao prefeito Abilio Brunini (PL) na Câmara Municipal de Cuiabá ganhou contornos de "Big Brother" e crise explícita nesta quinta-feira (16). Em uma reação rápida e enérgica nos bastidores virtuais, o chefe do Executivo removeu o vereador Dilemário Alencar (União Brasil) e a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) do grupo de WhatsApp que reunia os parlamentares aliados.
Para selar o encolhimento de sua base, o prefeito rebatizou o canal de comunicação — que antes ostentava 14 integrantes — para “Grupo de 12”. Se o ritmo de exclusões e dissidências continuar nesse ritmo, o grupo corre o sério risco de simplesmente deixar de existir antes do fim do ano legislativo.
O estopim da exclusão e o fantasma da Mesa Diretora
A gota d’água para a exclusão de Dilemário foi o anúncio público de seu rompimento com o bloco que apoia a reeleição da atual presidente da Casa, Paula Calil (PL). Com a decisão judicial que suspendeu a tramitação do projeto de resolução que alteraria o regimento para viabilizar a recondução de Paula, Dilemário decidiu recolocar sua própria candidatura independente à presidência da Mesa Diretora na mesa de negociações.
O movimento foi visto pelo Palácio Alencastro como uma traição direta. Essa, inclusive, é a segunda vez em pouco mais de uma semana que Abilio passa o "facão" no grupo de mensagens: recentemente, outros seis vereadores já haviam sido banidos por criticarem publicamente as interferências do Executivo nos rumos do Legislativo.
O troco na LDO: Derrota amarga em plenário
O reflexo prático desse racha digital não demorou a aparecer no mundo real. Coincidência ou não, a exclusão dos parlamentares ocorreu no mesmo dia em que a prefeitura sofreu uma derrota histórica no plenário.
A proposta da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o exercício de 2027 acabou rejeitada. O projeto do Executivo obteve apenas 12 votos favoráveis — exatamente o número de membros que restaram no grupo de WhatsApp de Abilio. Para ser aprovada, a matéria precisava de maioria absoluta (no mínimo 14 votos).
De acordo com a presidente da Câmara, Paula Calil, a ausência de Dilemário Alencar e de Baixinha Giraldelli na votação extraordinária foi decisiva para o naufrágio do projeto governista. Sem a aprovação da LDO, o recesso dos vereadores foi oficialmente adiado, e a articulação política de Abilio agora corre contra o tempo para tentar juntar os cacos de uma base que insiste em encolher.
A análise do Olhar Informação:
A política cuiabana trocou o debate de ideias pela exclusão de contatos. Ao gerir sua base aliada na base do 'admin' de grupo de WhatsApp, o Executivo municipal estica uma corda que já arrebentou em plenário. Governar exige diálogo presencial e respeito à independência dos poderes, pois, no fim do dia, curtidas e banimentos virtuais não garantem os 14 votos de que a cidade precisa para não travar.
* Representação Visual das Exclusões (Mockup do Grupo de WhatsApp)
Como os prints originais correm em sigilo nos bastidores dos celulares dos parlamentares, reproduzimos o cenário visual de como ficou a tela do aplicativo do prefeito após a "limpeza" com IA.

