A política é um jogo de articulações. Apoia ou não apoia? A pergunta que não quer calar ganha força nos bastidores após prefeito de Cuiabá sugerir partido na vice de chapa majoritária.
CUIABÁ – Os bastidores da sucessão estadual ganharam novos e intensos capítulos. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu publicamente que o Partido Liberal abdique de uma candidatura própria ao Palácio Paiaguás para indicar o nome de vice na chapa liderada pelo atual vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
A declaração foi dada em entrevista ao PodOlhar, do site Olhar Direto. Segundo o prefeito da capital, a composição majoritária unindo o Republicanos e o PL seria o desenho mais proveitoso para dar continuidade ao projeto político e administrativo que vem sendo executado em Mato Grosso.
“Eu preferia que tivesse uma composição. Defendo compor com o Otaviano Pivetta e que o PL indique o vice. Pode ser qualquer nome. Não defendo minha esposa [a vereadora Samantha Iris], nem ninguém específico. Acho que essa composição seria muito salutar para o processo eleitoral e para manter os avanços conquistados pelo governo do Estado”, afirmou Abilio.
Defesa da Unidade e Gestão Administrativa
Para Brunini, a experiência de Pivetta o qualifica como o nome ideal para blindar o estado contra retrocessos de gestão. O prefeito alertou sobre os riscos de uma eventual desorganização política quebrar o ritmo de crescimento conquistado nos últimos anos.
“O Estado levou oito anos para colocar a casa em ordem. Para desorganizar, basta um dia. Eu penso que a unidade seria muito importante para proteger esse projeto”, pontuou o gestor cuiabano.
Jogo de Equilíbrio: A Pré-Candidatura de Wellington Fagundes
Apesar de declarar abertamente sua preferência pela liderança de Otaviano Pivetta na disputa ao Governo, Abilio adotou uma postura diplomática para evitar arestas internas em sua própria sigla. O prefeito ponderou que o senador Wellington Fagundes (PL) tem total legitimidade para tentar viabilizar seu nome na disputa, com base em seu desempenho eleitoral e posicionamento nas pesquisas de intenção de voto.
Abilio enfatizou que possui uma relação de profundo respeito e amizade tanto com Pivetta quanto com Wellington, e descartou a existência de um clima de hostilidade ou "guerra" partidária. “O PL não é por imposição. O PL é por diálogo, por construção e por um projeto maior. O Wellington está no direito dele de ser candidato. Está bem-posicionado nas pesquisas e tem um direito natural de disputar. Eu defendo a composição, mas sou voto vencido nesse processo. Cabe a eles a decisão”, completou o prefeito.
Olhar Informação: Ao sugerir recuo no protagonismo da chapa em prol de uma aliança com Pivetta, Abilio Brunini move uma peça estratégica no tabuleiro que tensiona as forças internas do PL e joga os holofotes sobre a capacidade de articulação e sobrevivência dos grandes caciques da política mato-grossense.

