Por: Sidney Moreira de Alencar
O anúncio feito pelo senador Jayme Campos nesta segunda-feira não é apenas um movimento político de rotina; é um divisor de águas na relação entre o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Ao assinar o requerimento da CPI do Banco Master, Jayme deixa de lado a cautela dos bastidores para atender a um clamor que ecoa nas ruas e nos setores produtivos de Mato Grosso: o de que ninguém, absolutamente ninguém, está acima da lei ou do escrutínio público.
Vivemos um momento delicado da nossa democracia. O equilíbrio entre os Poderes — o Legislativo, o Executivo e o Judiciário — é o que sustenta a paz institucional. No entanto, quando surgem sombras sobre contratos milionários e relações de proximidade entre a cúpula da justiça e o poder econômico de banqueiros investigados, o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser omissão.
Investigar não é perseguir. Fiscalizar não é afrontar. Pelo contrário, a transparência é o único remédio capaz de curar a crise de confiança que atinge nossas instituições. Ao se aliar aos descontentes e cobrar explicações sobre a conduta de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o senador mato-grossense assume um protagonismo necessário. As vias da CPI estão se alargando no Senado porque a sociedade já não aceita mais as "zonas cinzentas" de Brasília.
O que se espera agora é que o rito siga com rigor técnico e isenção. O Brasil precisa de respostas claras sobre o Banco Master e sobre como o Judiciário se comporta diante de cifras bilionárias. A coragem de fiscalizar é o que diferencia uma democracia madura de um sistema de privilégios.
Que o exemplo de Mato Grosso, através da postura de seus representantes, sirva de bússola para um país que exige, acima de tudo, ética e clareza no trato da coisa pública.
Olhar Informação: Porque a verdade não tem lado, tem transparência.
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