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17 de Junho de 2026
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Polícia Quinta-feira, 28 de Maio de 2026, 07:34 - A | A

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mais de 5 estados

Receita Federal desarticula esquema de R$ 200 milhões que lavava dinheiro do tráfico na cadeia da carne em MT

DA REDAÇÃO OLHAR INFORMAÇÃO

Operação Rota do Fim revela como facção carioca infiltrou o agronegócio para escoar cocaína e simular lucros milionários usando empresas de fachada.

Cuiabá, MT – Uma megaoperação da Receita Federal, deflagrada nesta quarta-feira (27), jogou luz sobre um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas que utilizava a robusta cadeia da carne bovina para movimentar recursos ilícitos. Denominada Operação Rota do Fim, a ação cumpre mandados em Mato Grosso e outros cinco estados: Acre, Rondônia, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

As investigações apontam que o grupo criminoso, baseado principalmente no Acre, mantinha conexões diretas com uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro. O objetivo principal da organização era ocultar patrimônio e escoar grandes volumes de entorpecentes utilizando a logística de setores formais da economia.

O estopim em solo mato-grossense

O fio da meada que levou à desarticulação do grupo começou em Mato Grosso. As apurações tiveram início após uma apreensão estratégica realizada no município de Poconé (a 104 km de Cuiabá). Na ocasião, as forças de segurança interceptaram 469 quilos de cocaína camuflados em uma carga de farinha de ossos e biscoitos. O carregamento havia partido de Rio Branco (AC) e tinha como destino final o estado do Rio Grande do Norte.

A partir desse flagrante, os investigadores descobriram que o grupo havia se infiltrado profundamente em diferentes etapas da cadeia produtiva da carne bovina. A rede envolvia desde fornecedores de gado e frigoríficos até empresas de leilão e postos de combustíveis.

R$ 200 milhões e empresas de fachada

Segundo a Receita Federal, empresas que operavam de forma aparentemente regular eram utilizadas para o transporte das drogas e para a blindagem financeira do grupo. A estimativa é de que aproximadamente R$ 200 milhões de origem ilícita tenham circulado pelo esquema, misturando-se de forma fraudulenta aos valores legais do setor agropecuário.

Para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico, a organização utilizava diversas táticas fiscais e societárias, tais como:

Simulação de atividade rural;

Criação de empresas de fachada;

Uso de "laranjas" (terceiros) para movimentação bancária;

Suposta distribuição fictícia de lucros e dividendos.

Ofensiva judicial

Ao todo, a Vara de Delitos de Organizações Criminosas da Comarca de Rio Branco (AC) expediu sete mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio imediato de bens dos investigados, incluindo imóveis, veículos, contas bancárias e até mesmo rebanhos bovinos.

Com a Operação Rota do Fim, a Receita Federal busca estancar o uso de setores vitais da economia formal para a ocultação de recursos do crime organizado, asfixiando financeiramente as lideranças do tráfico.

Olhar Informação: O avanço do crime organizado sobre as cadeias produtivas do agronegócio acende um alerta urgente para a necessidade de fiscalização rigorosa, mostrando que a blindagem da nossa economia exige combater de frente as rotas invisíveis do tráfico.

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