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10 de Dezembro de 2025
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Polícia Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025, 06:24 - A | A

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2025, 06h:24 - A | A

comando vermelho em mt

R$80 mil/mês e fuzis por proteção no Rio

Da Redação

Lideranças do Comando Vermelho (CV) de Mato Grosso estão se escondendo em favelas do Rio de Janeiro, pagando até R$ 80 mil mensais para garantir sua estadia e proteção em áreas controladas pelo tráfico. Essa informação provém de investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público mato-grossense, que indicam um deslocamento contínuo de chefes da facção para o Sudeste.

 

Os pagamentos são compostos por R$ 50 mil em dinheiro e o restante em armamento, com valores de fuzis variando entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Somente neste ano, 16 armas de grosso calibre foram enviadas para comunidades cariocas como Rocinha, Vidigal, Penha e Complexo do Alemão, locais escolhidos por oferecerem refúgio seguro.

 

Segundo o promotor-chefe do Gaeco, Adriano Roberto Alves, os criminosos buscam o Rio de Janeiro porque, ao contrário de Mato Grosso, onde a polícia tem acesso a qualquer local, no Rio existem territórios dominados onde o Estado não exerce soberania. Os valores e detalhes dessas transações foram encontrados em celulares apreendidos durante prisões e operações contra membros da facção.

 

A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que realiza ações permanentes de combate ao crime organizado em cooperação com outros estados e participa de reuniões para desenvolver estratégias contra a migração de criminosos.

 

O Comando Vermelho é a maior facção criminosa em Mato Grosso, com cerca de 10 mil integrantes e movimentação estimada de mais de R$ 1 milhão por mês. A organização surgiu em 2013 na Penitenciária Central do Estado e, desde então, proibiu a integração de criminosos a outras facções, garantindo domínio sobre o tráfico em aproximadamente 95% das cidades mato-grossenses, com exceção do Nortão, onde o PCC ainda tem influência. As conexões entre o CV de Mato Grosso e o Rio de Janeiro envolvem a troca de abrigo, armamento e influência territorial, com o envio de fuzis e drogas em troca de refúgio.

 

Entre os 15 foragidos identificados, três são consideradas lideranças importantes em Cuiabá e outras cidades de Mato Grosso. Jonas Souza Garcia Júnior, o 'Batman', é apontado como a maior liderança do CV no estado fora da prisão, com condenações que somam 49 anos. Ele fugiu após romper uma tornozeleira eletrônica em setembro. Angélica Silva Saraiva de Sá, a 'Angeliquinha', condenada a mais de 250 anos por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e organização criminosa, é considerada chefe do CV no norte do estado e responsável pela execução de suspeitos de ligação com o PCC. Jéssica Leal da Silva, a 'Arlequina', líder da facção em Juína, responde a processos por tráfico, tortura e homicídio e é apontada como responsável por 'tribunais do crime'.

 

Angeliquinha e Arlequina fugiram juntas da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto em Cuiabá em 17 de agosto, serrando as grades de suas celas, e acredita-se que buscaram refúgio nas comunidades cariocas. O promotor Adriano Roberto Alves destacou que a fragilidade do sistema prisional permite que criminosos continuem operando de dentro das cadeias.

Ele também esclareceu que nenhum líder ou faccionado do CV de Mato Grosso foi morto na recente megaoperação policial no Rio de Janeiro. Investigações recentes indicam que, no início de outubro, as lideranças trocaram de esconderijo, com um dos pontos utilizados sendo a área conhecida como 'Fazendinha', próxima à praia na Barra da Tijuca.

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