Da Redação Olhar Informação
CUIABÁ – A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), a Operação Caronte. A ação busca desmantelar um esquema criminoso que utilizava a fachada de uma empresa de transportes para movimentar grandes quantidades de drogas pelo estado. No centro das investigações, está o bloqueio de bens que chega a R$ 3,1 milhões por investigado, totalizando mais de R$ 9 milhões em ativos financeiros congelados.
Alvos e Mandados
A ofensiva cumpre três mandados de prisão e de busca e apreensão. As ordens judiciais estão sendo executadas em:
- Várzea Grande: Alvos em liberdade;
- Penitenciária Central do Estado (PCE): Onde um dos líderes do esquema já se encontra detido.
Além das prisões, o Poder Judiciário autorizou a asfixia patrimonial do grupo, visando interromper o fluxo financeiro e o lucro obtido com o tráfico de entorpecentes.
O Início: Apreensão de 171 kg de Cocaína
O fio condutor da investigação surgiu em janeiro de 2025. Na ocasião, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou uma carreta em Várzea Grande, encontrando 171 quilos de pasta base de cocaína.
A partir desse flagrante, a Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) identificou que o motorista era apenas uma peça no tabuleiro: o verdadeiro responsável pela carga seria o proprietário da transportadora. Ele utilizava a estrutura formal da empresa para mascarar o envio da droga, conferindo uma aparência de legalidade ao transporte ilícito.
Conexão com Pontes e Lacerda
As diligências apontaram que o entorpecente foi adquirido com o apoio de um terceiro suspeito na região de Pontes e Lacerda. Este indivíduo, que já possui um extenso histórico criminal — incluindo homicídios e participação em organizações criminosas —, operava o esquema mesmo de dentro da PCE.
"A descapitalização de grupos criminosos reafirma o compromisso institucional com a repressão qualificada ao narcotráfico em Mato Grosso", destacou o titular da Denarc, Ronaldo Binoti Filho.
Mitologia e Estratégia
O nome da operação, Caronte, remete ao barqueiro da mitologia grega que transportava as almas para o submundo. A analogia faz referência ao uso da logística de transporte para realizar a "travessia" da droga sob o disfarce de uma atividade comercial legítima.
A ação faz parte da Operação Pharus, dentro do planejamento estratégico da Polícia Civil para 2026, sob o guarda-chuva do Programa Tolerância Zero, focado no combate rigoroso às facções criminosas no Estado.
