Da Redação Olhar Informação
Investigação revela extorsão de comerciantes e domínio do crime organizado no bairro Bom Pastor
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nas primeiras horas desta quinta-feira (07/05), a Operação Continuum, desferindo um golpe estratégico contra o crime organizado em Rondonópolis. A ação visa desmantelar uma célula de facção criminosa que exercia controle rigoroso sobre o bairro Bom Pastor, atuando no tráfico de drogas, exploração de jogos de azar e extorsão de pequenos e médios empresários da região.
Ao todo, o Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá expediu 19 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão e oito de prisão preventiva. A ofensiva contou com o empenho de 13 equipes da Delegacia Regional de Rondonópolis, mobilizadas para cumprir todos os mandados dentro do município.
O "Estado Paralelo" e a Extorsão a Comerciantes
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis, revelaram um cenário alarmante de opressão. Segundo a delegada Anna Paula Marien, o grupo não se limitava ao tráfico; eles impunham o medo ao exigir pagamentos de comerciantes locais, tentando substituir a presença do Estado pelo poder da força.
“Quando uma facção cobra valores de comerciantes, estamos diante de uma tentativa clara de imposição de poder paralelo e domínio territorial por meio do medo”, afirmou a delegada.
Conexão com a Operação Impetus
A Continuum é um desdobramento direto da Operação Impetus, realizada em maio de 2025. Na época, a polícia mirou o bairro Jardim Tropical. Com a análise dos materiais apreendidos no ano passado, foi possível identificar 10 novos suspeitos que operavam de forma interligada no Bom Pastor, cada um com funções específicas — desde o gerenciamento financeiro até a distribuição de entorpecentes.
Jogos de Azar e Estrutura Financeira
Além do tráfico, a facção utilizava a exploração de jogos de azar como uma "lavanderia" e fonte de lucro rápido. Planilhas, cadastros e relatórios internos apreendidos mostram que os criminosos controlavam rigidamente a distribuição de máquinas e o recolhimento dos valores, utilizando o montante para financiar o armamento e a logística da organização.
A ação faz parte da Operação Pharus e do Programa Tolerância Zero, que compõem o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026. A operação também integra o cronograma da rede nacional Renorcrim, coordenada pelo Ministério da Justiça, que articula o combate ao crime organizado em todo o território brasileiro.
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