Da Redação Olhar Informação
Ação estratégica da Defron e Draco desarticula esquema interestadual de tráfico e lavagem de dinheiro que utilizava empresas de fachada para ocultar lucros do crime organizado.
CUIABÁ – Em um duro golpe contra a estrutura logística e financeira do crime organizado, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Conluio Pantaneiro. A ofensiva, que integra o programa estadual Tolerância Zero, mobilizou equipes para o cumprimento de 62 ordens judiciais em Mato Grosso, São Paulo e Paraná.
O balanço da operação inclui 10 mandados de prisão preventiva, 17 de busca e apreensão, além do sequestro de veículos e o bloqueio de contas bancárias. As investigações revelaram que a organização criminosa chegou a movimentar impressionantes R$ 54 milhões em um esquema complexo de lavagem de capitais.
Do Tráfico à Engenharia Financeira
O fio condutor da investigação surgiu em setembro de 2023, após a apreensão de quase meia tonelada de cocaína na Estrada Transpantaneira, em Poconé. Ao longo de dois anos de inteligência, a Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e a Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) mapearam uma rede composta por pelo menos 20 pessoas e 12 empresas.
De acordo com a delegada Bruna Laet, responsável pelo caso, o líder do grupo operava a partir de Cáceres, controlando toda a cadeia produtiva do crime:
- Recebimento e Armazenamento: Gestão da droga na fronteira.
- Distribuição: Escoamento de grandes carregamentos para outros estados.
- Lavagem de Dinheiro: Uso de múltiplas contas e pessoas jurídicas para dar aparência lícita aos recursos.
"Estima-se que, em apenas dois meses de 2023, a organização tenha movimentado cerca de 2,7 toneladas de pasta base de cocaína", destacou a delegada.
Cooperação e Tecnologia
A eficiência da Polícia Civil de MT nesta operação foi potencializada pela cooperação técnica com a Receita Federal e a Politec. O cruzamento de dados financeiros e perícias especializadas permitiu desvendar o "modus operandi" da facção, que utilizava um mecanismo sofisticado de ocultação patrimonial para tentar despistar as autoridades.
A operação contou ainda com o suporte de diversas unidades regionais (Rio Branco, Mirassol D’Oeste, Derf, entre outras), além das Polícias Civis de São Paulo e Paraná, evidenciando o alto nível de integração das forças de segurança mato-grossenses.
Operação Pharus: O Farol da Justiça
A "Conluio Pantaneiro" é um dos pilares da Operação Pharus, lançada pela Polícia Civil dentro do planejamento estratégico para 2026. O nome, que significa "farol" em latim, simboliza a missão do Estado em iluminar e desmantelar práticas criminosas que tentam operar nas sombras.
Os investigados responderão por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, permanecendo agora à disposição da Justiça na Quarta Vara Criminal de Cáceres.
Com informações da assessoria da Polícia Civil-MT.
