Da Redação Olhar Informação
Ação deflagrada em Cuiabá, Rondonópolis e outros três estados busca desarticular esquema de lavagem de dinheiro liderado por "Vovozona", foragido desde 2023.
A Polícia Civil de Mato Grosso desferiu, na manhã desta terça-feira (10.2), um golpe contundente na estrutura econômica de uma das maiores facções criminosas que atuam no estado. A Operação Imperium cumpre 61 ordens judiciais com o objetivo de paralisar um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro fundamentado no uso de documentos falsos e empresas de fachada.
O foco da ofensiva é o sequestro de bens e o bloqueio de ativos que chegam à impressionante cifra de R$ 43 milhões, além de atingir imóveis e veículos de luxo avaliados em mais de R$ 4 milhões.
O Mapa da Operação: De MT ao Rio de Janeiro
As investigações, conduzidas pela GCCO e pela Draco de Cuiabá, revelaram que o grupo operava de forma interestadual. Embora o núcleo empresarial e os operadores patrimoniais estivessem concentrados em Rondonópolis, a rede se estendia para garantir a circulação do capital ilícito.
- Rondonópolis (MT): Sede das empresas de fachada e operadores patrimoniais.
- Paraná: Localização da principal operadora financeira da facção.
- Minas Gerais: Onde atuava o responsável pela compra estratégica de imóveis.
- Rio de Janeiro: Reduto de operadores patrimoniais do grupo.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz de Garantias de Rondonópolis, demonstrando a integração do Judiciário com as forças de segurança no programa Tolerância Zero.
O Líder e a "Fuga de Luxo"
No centro do esquema está G.R.S., vulgo “Vovozona”. Apontado como uma liderança de alta periculosidade na região sul de Mato Grosso, ele é protagonista de um episódio inusitado: em julho de 2023, fugiu da unidade prisional Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, após sair para um suposto serviço externo.
Antes de desaparecer, o líder foi visto almoçando em uma churrascaria de luxo na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, onde teve a conta paga por uma comparsa antes de deixar o local em uma caminhonete de alto padrão. Desde então, ele e sua esposa utilizavam identidades falsas para abrir contas e movimentar o dinheiro oriundo do crime organizado.
Asfixia Financeira como Estratégia
Para o delegado Marlon Luz, responsável pelo caso, a prisão dos envolvidos é apenas uma parte da solução. O foco principal é a recuperação de ativos.
“As medidas visam atacar o poder financeiro da facção, assegurando bens para evitar sua dilapidação e tentando reverter esses valores aos cofres do Estado”, explicou o delegado.
A Operação Imperium faz parte da Renorcrim, uma rede nacional coordenada pelo Ministério da Justiça para combater organizações criminosas de forma integrada e duradoura em todo o país.
Olhar Informação: No combate ao crime, a Justiça prova que tirar o lucro do bandido é tão eficaz quanto tirar sua liberdade.
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