Da Redação Olhar Informação
A audácia do crime: ligações clandestinas e medidores adulterados revelam desprezo pela lei em imóveis da região
BARRA DO GARÇAS – Em uma ofensiva direta contra o crime de furto de energia, a Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (31.03) a Operação “No Pulo do Gato”. A ação, realizada no perímetro urbano de Barra do Garças, resultou na prisão em flagrante de quatro pessoas que utilizavam métodos fraudulentos para zerar ou reduzir drasticamente a conta de luz, evidenciando uma prática criminosa que ignora o impacto social e legal do popular "gato".
A força-tarefa foi conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), com apoio técnico da Politec e da concessionária Energisa. Durante as fiscalizações, que começaram logo cedo e se estenderam por todo o dia, as equipes visitaram seis imóveis e encontraram irregularidades em 100% dos locais vistoriados.
O esquema das quitinetes
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em um conjunto de sete quitinetes. No local, a energia era distribuída aos inquilinos de forma clandestina através de um disjuntor ligado diretamente à rede elétrica, sem qualquer medidor.
Segundo o delegado Joaquim Leitão Junior, os moradores acreditavam que o valor da luz já estava incluso no aluguel. A proprietária, por sua vez, alegou desconhecimento, mas a investigação revelou que ela já possuía registros anteriores de intervenções irregulares em outros imóveis sob sua gestão.
Reincidência e impunidade
O levantamento policial apontou que parte dos detidos já possui histórico de adulteração de medidores. Essa reincidência levanta um debate necessário sobre a eficácia das punições, já que, muitas vezes, os infratores possuem condições financeiras de arcar com o consumo, mas optam pelo crime para obter vantagem ilícita.
Ao todo, foram identificadas:
- 4 adulterações em medidores (equipamentos violados para registrar menos consumo);
- 2 ligações diretas (o furto total, sem passagem por medidor).
Os quatro responsáveis foram encaminhados à Central de Flagrantes e autuados pelo crime de furto. As investigações continuam para identificar se há uma rede de profissionais técnicos prestando serviços para essas adulterações na cidade.
Olhar Informação: O "jeitinho brasileiro" de furtar energia não é apenas um prejuízo financeiro para as concessionárias, mas um crime que encarece a conta do cidadão honesto e coloca vidas em risco com fiações precárias; a justiça deve ser o verdadeiro freio para quem escolhe a clandestinidade.
