Da Redação Olhar Informação
A bandidagem está infiltrada em todos os lugares, inclusive dentro das prefeituras, mas a Polícia Civil de Mato Grosso está no vácuo dela, rastreando cada centavo desviado do cidadão.
CUIABÁ – O que deveria ser destinado a remédios, merenda escolar e assistência social em Nossa Senhora do Livramento acabou indo parar no bolso de uma associação criminosa articulada. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), deflagrou nesta terça-feira (14.04) a Operação Dupla Face, desarticulando um esquema que drenou cerca de 5% de todo o orçamento anual da saúde do município.
Ao todo, estão sendo cumpridas 27 ordens judiciais e medidas cautelares, incluindo o bloqueio de R$ 532 mil em bens e o rastreamento de mais de R$ 2,7 milhões em movimentações financeiras suspeitas. O esquema envolvia servidores municipais, um servidor estadual, um policial militar e uma empresa privada.
O "Erro" que Revelou o Crime
A queda do grupo começou de forma inusitada: uma fiscal de tributos sentiu falta do pagamento de sua gratificação e questionou a prefeitura. Ao confrontar os documentos, a contabilidade percebeu que os registros oficiais não batiam com os extratos bancários. A própria prefeitura instaurou uma auditoria que revelou a sangria nos cofres públicos e denunciou o caso à Deccor e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Como Funcionava o Esquema
A investigação aponta que uma servidora com acesso privilegiado aos sistemas bancários e contábeis operava os desvios. A mecânica era cínica e sofisticada:
- Transferências Fantasmas: O dinheiro era enviado para uma empresa fornecedora sem qualquer empenho ou contrato legal.
- Pagamentos Duplicados: Contas que já haviam sido pagas eram quitadas novamente, mas o valor da "segunda via" ia para os criminosos.
- Lavagem e Distribuição: A empresa funcionava como uma "câmara de distribuição". Recebia o dinheiro público e o repassava, de forma fracionada, para os integrantes do grupo — incluindo um policial militar, apontado como o maior beneficiário individual.
Alcance da Fraude
Apenas entre 2022 e 2023, foram confirmados desvios de R$ 532 mil somente em uma das 10 contas bancárias da prefeitura. Como o grupo operava em contas da educação, saúde e assistência social, a polícia acredita que o prejuízo real ao erário seja drasticamente superior ao montante já bloqueado.
Tolerância Zero
Os alvos respondem pelos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, ordenação de despesa não autorizada e crimes licitatórios. A Corregedoria da Polícia Militar acompanhou a ação para o cumprimento do mandado contra o policial envolvido.
A Polícia Civil de Mato Grosso reforça que o trabalho continua para identificar a extensão total do dano e garantir que todos os responsáveis sejam punidos.
Olhar Informação: Quando o recurso da saúde é roubado, a vítima é toda a sociedade; por isso, não descansamos enquanto o "colarinho branco" não encontrar as algemas.
